O que o Inter ganha com a migração para Nasdaq?

Alexandre Diniz

Publicado 23/jun3 min de leitura

Resumo

Um processo inédito e que promete não só acelerar a expansão do Inter como deixá-lo em outro patamar no cenário mundial. Mas você ainda não entendeu bem os motivos dessa migração para a bolsa norte americana? O Inset te responde

Voar cada vez mais alto, estar entre os maiores players do mercado e mostrar para todo o mundo como simplificar a vida pode ser transformador. O Inter está migrando sua base acionária para a Inter&Co, nova organização societária da empresa com listagem na Nasdaq, bolsa de valores norte americana localizada em Nova York.

O aval foi dado por acionistas em uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária) no dia 12 de maio e contou com o voto favorável de mais de 85% das ações em circulação presentes.

Os planos de internacionalização são tão sólidos quanto ambiciosos. Operar nos Estados Unidos promete potencializar – e muito – o crescimento da empresa para muito além das fronteiras nacionais. O movimento consolidará a ideia do Inter de se tornar, de fato, uma companhia global de tecnologia. Mas, para muitos investidores e clientes, a dúvida ainda existe: dentro desse processo de migração para o exterior, o que a companhia realmente ganha com isso? O Inset explica para você.

Por quê Nasdaq?

Simples. Para ser global é preciso estar em uma bolsa global, com solidez global. Nasdaq entra como o lugar ideal. De acordo com o vice-presidente de Tecnologia, Operações e Finanças, Alexandre Riccio, o processo de migração das ações do Inter demonstrou, logo de início, um elemento chave no DNA da empresa: inovação.

“Quando começamos a colocar em prática esse plano, a ideia parecia muito difícil, pois as reações à nossa intenção eram sempre com outras opções mais tradicionais. No entanto, nenhuma delas era o que a gente realmente queria. Por isso, insistimos no nosso propósito e fomos atrás de entender uma nova estrutura de negócio que fosse alinhada com a nossa operação e com o que queríamos para o futuro, que era atuar como uma holding fora do país”, comenta Alexandre.

A diretora jurídica de Governança, Operações Corporativas e Compliance do Inter, Ana Luiza Forattini, endossa o discurso de Riccio e complementa que a união do projeto de migração com a operação internacional levará a empresa a um outro patamar sob vários aspectos.

“À medida que vamos para um centro muito mais sólido e tradicional do ponto de vista de mercado de capitais, entramos em um patamar de ter o valor da nossa marca bem mais alinhado com outras companhias do segmento de tecnologia. Isso nos abre muitas portas para atrair novos investidores. Além disso, migrar nossas ações para os Estados Unidos nos coloca em contato com novos analistas. A combinação desses fatores traz uma exposição muito maior para a companhia”, ressalta Ana.


Citação
À medida que vamos para um centro muito mais sólido e tradicional do ponto de vista de mercado de capitais, entramos em um patamar de ter o valor da nossa marca bem mais alinhado com outras companhias do segmento de tecnologia."
Ana Luiza Forattini, diretora jurídica de Governança, Operações Corporativas e Compliance do Inter

Migração para Nasdaq: mais investimentos para uma internacionalização robusta

Continuar aberto para investimentos nacionais e acessar novas possibilidades em um mercado estrategicamente central no mundo. Segundo Alexandre Riccio, migrar as ações para Nasdaq significa abrir portas internacionais que podem significar grande crescimento no futuro.

“Com essa mudança, preservamos a capacidade de sermos investidos por fundos brasileiros e cidadão brasileiros, seja via BDR ou acesso direto à bolsa americana. Mas além disso, passamos a acessar uma gama de investidores que só investem em ativos nos Estados Unidos. Por isso operar na bolsa americana facilita essa aproximação com investimentos que possibilitarão um crescimento exponencial no futuro”, diz.

Marca mais forte, mais pessoas simplificando a vida. De acordo com os executivos do Inter, estar na Nasdaq traz, inevitavelmente, uma credibilidade e uma exposição muito maiores para o americano e o imigrante. Quanto mais a companhia é conhecida e vai ganhando a confiança de um outro mercado, mais possível é evoluir e oferecer produtos e serviços que façam a diferença no dia a dia daquelas pessoas.

“Mais gente nos EUA passa a confiar na marca Inter. O grande ponto agora é entender o que os clientes por lá precisam e fazer as entregas de forma constante e com a excelência que já fazemos por aqui”, afirma Ana Luiza Forattini.

Simplificar, sair na frente e ser exemplo

Movimentos inéditos e bem-sucedidos dessa magnitude costumam servir de espelho para outras empresas brasileiras. Para os executivos do Inter, isso certamente acontecerá. Mas antes de ver o resultado atual, é importante valorizar a trajetória que a companhia traçou até o momento. Para eles, cada passo bem dado deu força para a migração se tornasse realidade.

“Essa migração é um grande marco. Ela destrava passos que o Inter pretende dar no futuro. Mas importante ressaltar que a cada ano temos um ou alguns grandes marcos que vão marcando a história e o crescimento da companhia”, comenta.

Alexandre lista alguns ao longo do tempo: “O primeiro IPO, por exemplo, nos colocou em uma posição de poder crescer e ter expressão lá em 2018. Em 2019, por sua vez, tivemos nosso primeiro follow-on, outro grande marco que levantou mais do que o dobro de capital do IPO. Em 2020, novo follow-on importante para reforçar a base de capital. No ano passado, um terceiro follow-on que levantou valores próximos a U$ 1 bilhão e nos deixou bem posicionados para qualquer instabilidade econômica global”, analisa.

Ana Luiza destaca o aprendizado do Inter com cada etapa. Para ela, a companhia chega neste momento de internacionalização mais madura.

“O que aprendemos ao longo de todos esses anos em termos de processo e governança, por exemplo, nos serviu para chegarmos mais prontos para executarmos esse projeto de migração. Finalizado, ele nos coloca em outro patamar de regulação, governança corporativa e certamente muda o olhar dos investidores para o Inter. Nos tornaremos cada vez mais relevantes no cenário internacional também nesse aspecto”, finaliza a diretora.

Alexandre Diniz

Repórter


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