Migração para Nasdaq: por que a transação do Inter é importante?

Lucas Eduardo Soares

Publicado 13/mai3 min de leitura

Resumo

Companhia deverá ser a primeira empresa brasileira a migrar 100% de suas ações para outra exchange fora do país. Nasdaq foi a escolhida

O Inter está prestes a se tornar a primeira empresa nacional a migrar 100% de suas ações para outra exchange, saindo da B3, bolsa de valores brasileira, e de malas prontas para a americana Nasdaq, polo mundial do mercado de tecnologia. O aval foi dado por acionistas em uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária) nessa quinta-feira (12) e contou com o voto favorável de mais de 85% das ações em circulação presentes. Mas por que essa transação é importante?

Primeiro ponto é que essa listagem na bolsa nova-iorquina possibilita a abertura de novos mercados e acesso a oportunidades que podem contribuir para a aceleração dos planos de expansão internacional do grupo, ampliando a base de clientes, serviços e oferta de produtos. Além disso, a expansão e diversificação da base de investidores pode aumentar a liquidez e tornar a companhia mais atrativa.

Mas não é só isso. “Pioneirismo” é a palavra-chave para entender a relevância dessa transação. “A operação é pioneira a exemplo de tudo o que nós fizemos até então”, declara Ana Luiza Forattini, diretora jurídica de Governança, Operações Corporativas e Compliance do Inter. “Fomos o primeiro banco digital, o primeiro cartão sem anuidade, o primeiro Super App, a primeira conta global em Super App”, enumera.

Segundo ela, o movimento de migrar as ações para Nasdaq reforça o ineditismo que a companhia tem como marca e pode servir como guia para outras brasileiras que quiserem seguir o mesmo rumo. “Na medida em que executamos com sucesso uma operação complexa e inédita, certamente outras terão atenção para uma estrutura semelhante”, acredita Ana Luiza.

Dessa forma, o plano de trabalho e da execução da migração é outro diferencial. O vice-presidente Alexandre Riccio explica que a transação que vem sendo realizada demonstra o desafio constante dos executivos em relação ao status quo. De acordo com Riccio, nos primeiros momentos de discussão para a listagem das ações em Nasdaq, no início de 2020, houve a possibilidade de seguir modelos tradicionais. “Mas nenhuma delas era a que nós queríamos”, lembra.

“Ao invés de desistirmos, fomos atrás para entender a estrutura da nossa operação, que seria aderente aos nossos desejos de passar esse float para uma holding internacional fora, nos moldes favoráveis à execução do nosso plano de futuro”, comenta Riccio.

Sinal verde dos acionistas dá gás à operação

Parte essencial do processo, a AGE realizada nessa quinta-feira que chancelou a reorganização societária ainda demonstrou o apoio dos acionistas à migração das ações da companhia para Nasdaq. “Agradecemos nossos acionistas que participaram e aprovaram a nossa reorganização societária”, comemorou João Vitor Menin, CEO do Inter.

“A migração das nossas ações para a Nasdaq vai fortalecer nosso posicionamento como uma empresa de tecnologia global, além de nos dar acesso ao mercado de capitais mais maduro do mundo e abrir fontes de receitas à medida que a empresa continua seu sólido ritmo de crescimento”, pontuou Menin.

Com a decisão, agora os acionistas têm até o dia 20 de maio para escolher entre duas opções: a troca das ações atuais por BDRs listados na B3, que serão lastreados em ações de Classe A da Inter&Co listadas na Nasdaq ("Opção BDR"), ou receber o valor das ações em dinheiro ("Opção Cash Out"). A opção pelo Cash Out terá resgate limitado de R$ 1,1 bilhão, equivalente a 10% das ações em circulação. Se a demanda exceder o limite estipulado, aqueles que escolherem o Cash Out serão rateados proporcionalmente, e os acionistas receberão uma parcela em dinheiro e outra em BDRs.

Segundo o Inter, o valor de troca das ações foi estabelecido com base na média ponderada dos últimos 30 dias de negociação antes do anúncio, equivalente a R$ 19,35 por unit (composto por uma ação ordinária e duas ações preferenciais do Inter). A opção de Cash Out está disponível apenas para acionistas legitimados e que tinham posições de ações em custódia em 15 de abril de 2022.

Os acionistas da companhia que não se manifestarem durante o período de opção receberão BDRs automaticamente, bem como quem adquiriu ações do Inter depois desse período. Após o recebimento dos BDRs será possível cancelá-los e transformá-los em ações Classe A listadas diretamente na Nasdaq.

Lucas Eduardo Soares

Repórter


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