Inter Conference: momento é de desafios e oportunidades para o empreendedorismo

Redação Inset

Publicado 17/nov15 min de leitura

Resumo

Primeira edição do evento conta com participação de grandes nomes do mercado de Minas em troca de experiências e de visões sobre o futuro

Lucas Eduardo Soares e Izabella Souza - Começou nesta quarta-feira (17) e vai até a próxima sexta-feira (19) a primeira edição do Inter Conference, evento do Inter com foco nas melhores iniciativas do empreendedorismo mineiro e com a participação de grandes nomes do mercado em uma valiosa troca de experiências e de visões sobre o futuro.

A abertura foi conduzida pelo CEO do Inter, João Vitor Menin, e por Rafaela Vitória, economista-chefe da instituição. Destacando a importância do Inter Research, plataforma de análises, recomendações e relatórios publicados pelo time de Estratégias e Pesquisas Econômicas, Menin enfatizou mais uma vez o ide do Inter: democratizar os serviços bancários. "Os relatórios estão lá para os nossos clientes poderem consumir. Queremos atender a pessoa física, seja uma que está começando, seja um investidor profissional. Posicionamos nossa área de pesquisa para atender a esse público", disse.

O CEO também explicou a escolha da cidade de Belo Horizonte como a sede da primeira edição da conferência: "Queremos prestigiar as empresas mineiras. O Inter é fruto disso, então quisemos trazer a qualidade das empresas locais para levar isso aos nossos mais de 1,8 milhão de investidores hoje, já que parte deles investe em ações através da nossa corretora, do nosso app ou da nossa mesa".

Leitura de cenário

Para iniciar o evento, a economista-chefe do Inter fez uma leitura do cenário macro e das perspectivas para a economia em 2022. O consenso é que será um ano de grandes desafios, mas também de oportunidades. É por isso que, segundo Rafaela Vitória, as projeções para o próximo ano não podem ser baseadas em pessimismo ou otimismo: o fato mais concreto é o de que ainda há muitas incertezas.

"A gente tem algumas forças que trarão crescimento. Temos um ciclo de investimentos que é mais longo, muitas construções, obras que não vão parar no próximo ano mesmo com as taxas de juros maiores. Temos ainda ventos de fora, commodities crescendo, projeção de que a nossa balança ainda vai crescer em 2022 na parte de volume, o volume de exportação de minério, de papel celulose, soja, milho... Então, há setores que vão puxar a economia e trazer esse crescimento", sinaliza. 

Foto: Francisco Dumont/Divulgação
Foto: Francisco Dumont/Divulgação

Por outro lado, Rafaela pontuou que o peso da taxa de juros impedirá um consumo mais pujante como aconteceu no pós-pandemia. Além disso, o risco fiscal deteriorou com a proposta de alteração no teto de gastos do governo federal, trazendo mais incertezas. O cenário externo de alta da inflação e possível retirada de estímulos também foram citados como fatores de risco, embora o mercado nos EUA siga com condições financeiras favoráveis. 

A economista também trouxe os resultados das análises e projeções de câmbio, PIB, concessão de crédito, balança comercial, índices de confiança e indicadores de atividade, que cresceu muito rápido no pós-pandemia impulsionada pela indústria, varejo e depois pelos serviços. "Mas, nos últimos meses, a gente tem visto uma acomodação. Primeiro que aquele consumo alto de bens agora começa a voltar para serviços, na medida em que eles reabrem. Depois, a indústria começa a mostrar um pouco de fraqueza por falta de insumos", explica Rafaela, que pontua que a recuperação dos estoques e a regularização da produção podem ser um fator de crescimento para 2022.

Outro ponto abordado foi o crescimento da taxa de poupança, que aumentou no ano passado por causa do freio no consumo causado pela pandemia. "O que você não consome, você guarda, e isso aconteceu muito com famílias e empresas. Obviamente que haverá uma volta desse consumo com o fim da pandemia, mas ainda assim os hábitos mudaram e a gente vê isso na medida que os investidores estão mais atentos com investimentos alternativos e a longo prazo. Então, acreditamos que ela será mais alta, e isso é muito bom para financiar o investimento privado no Brasil". 

Emprego e outros pontos de luz

Segundo Rafaela, o desempenho do emprego tem sido uma boa supresa pós-pandemia: "Apesar da taxa ainda estar muito alta, temos visto uma aceleração da geração de empregos formais e informais quando o setor de serviços começa a voltar. O emprego tem uma defasagem em relação ao processo de recuperação da economia, então agora que a gente entra na estagnação, esse crescimento pode ajudar a melhorar a renda das famílias e manter algum padrão de consumo". 

Outro ponto positivo é o mercado de capitais, que mantem um forte ritmo de crescimento: "Na medida em que os bancos públicos saíram de cena, deixaram esse espaço para o setor privado ocupar, e isso é fundamental para um pais crescer, ter um crescimento sustentável e um mercado de capitais envolvido e forte. Esse é um canal de financiamento para as empresas que veio para ficar, que tem demanda dos investidores, plataformas pra distribuição e liquidez no mercado secundário. Foi realmente um passo muito grande que o Brasil deu nos últimos anos". 

Mais um: a perspectiva de melhora no nível dos reservatórios de água traz a expectativa de alívio nas tarifas elétricas, que impulsionaram o IPCA em aproximadamente 3 pontos percentuais, segundo Rafaela. A esperança é que a bandeira de escassez hídrica seja retirada das contas algum tempo antes do planejado pelo governo, reduzindo um pouco a inflação.

Oportunidades para o futuro

Na mesma oportunidade, os convidados Lucas Provenza, do Grupo Zelo, Alex Veiga, do Grupo Patrimar, e Surya Mendonça, da Origo Energia, debateram sobre oportunidades para o futuro. Veiga ressaltou que, apesar dos juros, a expectativa para o próximo ano é de avanço: "Evidentemente 2022 se mostra um ano com mais cautela, mas a gente ainda acredita em crescimento. Lógico que a taxa de juros piora nosso negocio e que a velocidade de venda vai diminuir, mas as pessoas continuam casando, se separando e tendo filhos. Também por influencia da pandemia, as pessoas querem uma casa nova. Por isso, a gente acredita que 2022 continuará sendo um ano bom, de crescimento para o setor", disse Veiga.


Citação
Quando a coisa está ruim, você não pode parar. Você também tem que ter mercadoria na prateleira porque, na hora que vem a onda favorável, todo mundo quer lançar, todo mundo quer fazer. Você tem que saber dosar, mas não pode parar. Se parar, você quebra o ciclo e a água vai pelo ralo.
Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar

A visão do gestor

No segundo painel do dia do Inter Conference, os convidados Rafael Cota, do Inter Asset, Carlos Eduardo Rocha, da Occam, e Paulo Weickert, da Apex, trouxeram a visão do gestor de investimentos para a conversa. Uma das indicações dadas por Carlos Eduardo Rocha para os investidores que gostam de investir diretamente é ter cuidado com a liquidez: "Num momento como esse, a tolerância a um resultado ruim é muito baixa. Estamos vendo algumas empresas cairem 10% em um dia, e são boa empresas boas. Mas elas estão negociando uma expectativa de crescimento muito futura. E uma coisa que aprendi em mais de 30 anos como investidor é que a gente sempre se surpreende com a velocidade dos acontecimentos".

Para ter mais segurança, Rafael Cota pontuou que trabalha tentando focar nas empresas em que é possível ter uma maior visibilidade sobre o que está acontecendo e pode acontecer dentro de um, dois e três anos, aproveitando eventuais oportunidades do mercado. "A dificuldade é a gente afastar, tentar enxergar com clareza para aproveitar as discrepâncias entre o preço e o valor das empresas, o que consideramos que é justo para os investimentos".


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O grande desafio para nós e para os investidores pessoas físicas é tentar nos afastar dessas emoções do mercado. Em alguns momentos elas podem ser muito contagiosas, seja o medo ou a ganância.
Rafael Cotta, Gestor de Renda Variável da Inter Asset

Para Paulo Weickert, uma das palavras-chave quando o assunto é investimento é humildade, e o longo prazo só acontece se o curto prazo for na direção correta. "Se as coisas mudam, a gente muda também. Nossas opiniões mudam. A conjuntura atual é muito incerta e temos um cenário talvez binário para o ano que vem. A recomendação que dou para o investidor individual nesse momento é estar em liquidez, ter um horizonte de médio e longo prazo e olhar para as assimetrias. Acho que ter caixa num momento como esse é super importante, seja para fundo ou para pessoa física, porque o barato sempre pode ficar mais barato". 


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Apesar de o mercado ruim poder durar por muitos meses, são nesses momentos que as grandes oportunidades aparecem. A convicção que a gente tem é que, ao longo dos próximos meses, muitas oportunidades vão aparecer na Bolsa.
Paulo Weickert, sócio fundador da Apex Capital

Mas é claro que, quando a oportunidade aparecer, é preciso ter cautela, como alerta Carlos Eduardo Rocha: "Eu só sei de duas certezas para o ano que vem. Uma é que haverá uma grande volatilidade: terá muito risco e muita variação, o que gera uma aversão das pessoas. Então, procure um gestor profissional que faça uma boa gestão de risco, isso vai ser fundamental para você passar isso".

"A outra coisa é: estamos num processo de aceleração de alta de juros. Ainda não conseguimos fazer a inflexão da inflação que ainda está em alta. Ou seja, vamos passar o ano que vem com juros altos. Procure empresas de crescimento: não adianta comprar coisa barata que continuará barata. A cada mês você perde 1% ou mais", alerta o especialista, acrescentando que uma maneira de não sofrer esse problema é recorrer à diversificação externa.

Foto: Reprodução / YouTube
Da esquerda para a direita: Paulo Weickert, sócio fundador da Apex Capital; Carlos Eduardo Rocha, CEO na Occam Brasil Gestão de Recursos; Lucas Fonseca, Head de Produtos de Investimento do Inter e mediador do encontro; e Rafael Cotta, Gestor de Renda Variável da Inter Asset. Foto: Reprodução / YouTube

Escuta e debate

O painel “Oportunidades no setor elétrico com crise hídrica, novos leilões e privatização” teve a participação do diretor-presidente da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Carlos Eduardo Tavares de Castro, e de Leonardo George de Magalhães, diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).

Para Carlos, “o Inter Conference é uma ótima oportunidade para mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo na Copasa". "Além disso podemos contar sobre nossos projetos e investimentos futuros. É um momento importante também para esclarecer e debater questões importantes para empresa e para o mercado”, afirmou o presidente da Copasa.

CEO da Patrus Transportes, Marcelo Patrus também foi um dos convidados. Para ele, o encontro dá chance de ouvir empresários e fontes de várias áreas com um ponto em comum: o estado de Minas Gerais. “Nós precisamos entender que Minas é um estado muito grande. E eventos como esse, que prestigia empresas mineiras, são muito importantes, porque a gente mora e vive aqui. Belo Horizonte precisa desse tipo de encontro com frequência”, disse. Ele participou da mesa “Novos Mares: Oportunidades para o futuro 2” com Gustavo Bcheche, do Grupo Ferroeste.

Conteúdo qualificado

Economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória explica que essa conferência – organizada pela área de Research – tem como propósito oferecer conteúdo para investidores. Porém, não qualquer tipo de conteúdo. “Queremos trazer um conteúdo de qualidade. Assim como investidores institucionais têm acesso a research de bancos tradicionais, a gente quer mostrar que aqui no Inter esse investidor pode ter acesso a essas grandes empresas, que estão disponíveis na nossa plataforma”, pontuou Rafaela.

“Os painéis têm sido enriquecedores. Estamos aprendendo muito sobre as empresas e sobre a economia de Minas Gerais. E a surpresa é um certo otimismo dos empresários. Obviamente preocupados para 2022, mas acho que a mensagem geral é positiva, de investimentos que estão por vir”, concluiu.

Redação Inset

Reportagem


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