CEO do Inter ressalta foco no crescimento internacional consistente

Alexandre Diniz

Publicado 24/jun5 min de leitura

Resumo

Migração das ações para Nasdaq acompanha movimento do Inter rumo ao mercado norte-americano

O sino tocou na Times Square e o Inter&Co finalmente está na Nasdaq. Nesta quinta-feira (23), a companhia estreou na famosa bolsa norte-americana com a negociação de suas ações ordinárias de Class A. Com isso, além de ser o primeiro banco digital a abrir capital na B3, em 2018, o Inter confirma também um movimento inédito de migração da base acionária do Brasil para os Estados Unidos, mantendo BDRs negociados na bolsa brasileira.

Em entrevista coletiva concedida nesta tarde, o CEO da companhia, João Vitor Menin ressaltou a alegria pelo feito e se mostrou confiante em um futuro de ainda mais crescimento além das fronteiras nacionais.

“Hoje é um dia super importante para o Inter. De 2018, quando abrimos capital na B3, para cá, realizamos três follow-ons e agora damos esse passo fundamental não só para nós, mas para o mercado de capitais como um todo. Estamos muito orgulhosos da nossa execução, que permitiu que fizéssemos a migração em um tempo bem curto. Mas, como venho afirmando, é só o primeiro dia. Temos uma longa jornada a percorrer nos Estados Unidos”, disse João Vitor.

Longa jornada nos EUA

O listing foi um passo fundamental de um plano de expansão ainda maior elaborado pelo Inter, agora Inter&Co. De acordo com João Vitor, além das ações negociadas na Nasdaq, o Inter busca desenvolver uma operação robusta no mercado norte americano.

“A aquisição da Usend mostra bem isso. Ela já tinha todas as licenças operacionais aqui nos Estados Unidos e um negócio consolidado por aqui. Portanto, queremos replicar, no mercado norte-americano, boa parte do que temos no Super App no Brasil”, ressaltou.

E, se expandir o negócio está sempre na lista de objetivos do Inter, segundo João Vítor Menin, uma palavra de ordem deve ser levada em consideração: consistência. Questionado sobre operações de M&A (do inglês Mergers and Acquisitions, que significam operações de fusões e aquisições), o CEO da agora holding Inter&Co afirmou que embora isso sempre esteja no radar, o foco agora é tomar cada vez mais corpo nos Estados Unidos, adotando a estratégia de dar um passo de cada vez.

“Estamos muito focados em atender primeiramente os imigrantes, já que sabemos que eles são um publico sensível para essas questões bancárias. Eles pagam caro e não tem acesso a tantos bons produtos por aqui”, disse João Vitor, de Nova York.

Para o Menin, o segredo é sempre “nadar a favor da correnteza” e saber quando e como fazer cada investida: “Vamos começar focando em um nicho específico, já que se trata de um mercado grande e complexo. Isso maximiza muito nossas chances de sucesso. Depois, pensamos em agregar novos públicos, como naturalmente vai acontecer com os residentes americanos. Mas cada um no seu momento”, comentou.

Segundo ele, Nasdaq e Global Account são movimentos independentes, mas que se complementam. "Nossa expansão aqui é inteligente, pois tem um risco/retorno bom. Não precisamos alocar muito capital aqui nos EUA e temos um potencial de conquistar muitos clientes".

Roadmap de produtos nos EUA

A intenção da companhia é eplicar lá fora o que o Inter faz bem no Brasil. Essa a. “Já nascemos com a Global Account englobando 4 produtos: checking account, cartão de débito , investimentos e marketplace. Os quatro não estão evoluídos como no Brasil, claro. No entanto, vamos melhorar esses quatro e trazer para os EUA outros produtos que já temos nacionalmente, como uma plataforma de seguros. Com o tempo, vamos expandindo. O timming vai depender de alguns fatores, mas a intenção e expandir”, disse Menin.


Citação
Temos uma longa jornada a percorrer nos Estados Unidos
João Vitor Menin, CEO do Inter&Co

Instabilidade mundial não assusta

O mundo vive um momento de cautela quando o assunto é o cenário econômico. Os Estados Unidos, por sua vez, experimentam aumento na taxa de juros e receio dos investidores. Apesar do cenário, João Vitor diz acreditar que o momento é perfeito para a migração das ações.

Segundo o CEO, nunca passou pela cabeça da companhia engavetar o projeto, já que o plano estratégico foi muito bem elaborado. “Somos muito decididos. Falo que nunca existe o timming perfeito para nada. Temos que fazer o melhor que podemos naquele momento em que estamos.”

Além disso, de acordo com o executivo, existem motivos pelos quais o Inter não teme a migração e segue muito animado com todo o processo. O primeiro deles é o fato de que a companhia não está levantando novas ações para capitalizar. “Pelo contrário, estamos muito saudáveis financeiramente, se trata de uma migração”.

Em segundo lugar, João pensa que o momento de instabilidade pode ser uma oportunidade: “Olho isso de uma maneira positiva, já que considero um bom momento para investidores internacionais. É mais conveniente se tornar acionista agora, já que é mais fácil comprar ações nos Estados Unidos do que no Brasil, por exemplo”.

Por último, João aposta na expansão operação do Inter como um motivo que respalda a empresa em meio a turbulência mundial: “No mesmo momento em que listamos nossas ações aqui, estamos trazendo nosso negócio para os EUA. Estamos liberando aos poucos a nossa Global Account por aqui. Portanto, aliados a essa estratégia, o timming da migração foi, sim, muito apropriado”, complementa.

Operação no Brasil a todo vapor

Durante a coletiva de imprensa, João Vitor fez questão de destacar que o foco em melhorar os processos e produtos em território nacional segue a todo vapor. Embora esteja listado na Nasdaq, o Inter segue sendo, segundo ele, primordialmente brasileiro.

“Não deixamos nem deixaremos o Brasil. Temos nossa listagem primaria nos EUA mas ainda realizamos trade no brasil com nossos BDR’s. Seguimos sempre muito próximos dos investidores no Brasil, afinal, temos muito respeito por quem nos ajudou nesse tempo”.

Em relação aos clientes, o pensamento segue o mesmo: “Esse movimento de migração nos aproxima deles. Continuamos super envolvidos e dedicados, a fim de melhor nossa operação e o que oferecemos em nosso Super App. Temos muito trabalho pela frente também no Brasil. Continuamos sendo uma empresa com raízes brasileiras”, destacou.

Alexandre Diniz

Repórter


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