Quase 90% dos empreendedores digitais não se sentem preparados para o futuro, revela pesquisa

Redação Inset

Publicado 25/abr3 min de leitura

Resumo

Dados da plataforma Nuvemshop mostram que empresários apostam nas redes sociais para alavancar suas vendas; pandemia de covid-19 acelerou a adoção de diversas ferramentas, mas atrapalhou o domínio dessas funcionalidades

A pandemia de covid-19 e o isolamento necessário para conter a doença impulsionaram o desemprego no mundo todo. No Brasil, onde a desocupação tem figurado acima dos 10% desde 2016, o índice chegou a ficar perto dos 15% em alguns momentos entre 2020 e 2021. A falta de trabalho e o maior tempo em casa fizeram crescer o número de empreendedores, principalmente os digitais, que aproveitaram a tendência das compras online para alavancar seus negócios. 

Mesmo nascendo no ambiente digital, muitos empresários não usam as ferramentas disponíveis de forma plena nem sentem segurança para enfrentar os desafios que estão por vir. É o que aponta os dados de uma pesquisa da plataforma de e-commerce Nuvemshop, que revelou que 87% dos empreendedores digitais não se sentem preparados para o futuro. A adoção conturbada de algumas medidas, antecipadas pela pandemia, podem explicar a falta de domínio em algumas ferramentas. 

Essa é a situação vivida por Vittoria Regia, que abriu, em fevereiro de 2021, a Oriente Streetwear, loja virtual especializada em moda de rua. A microempresária é uma entre os milhares de jovens adultos que abriram um negócio durante o isolamento social, já que só em 2020 o número de jovens empreendedores cresceu 15%, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).  

Segundo ela, a meta à médio prazo era que a loja se tornasse sua fonte principal de renda. Enquanto o objetivo não é alcançado, a jovem trabalha como atendente e faz apresentações como cantora aos finais de semana ao lado da mãe, tendo na loja uma fonte de renda extra para ajudar a fechar as contas no final do mês.

Para alavancar as vendas da Oriente, Vittoria investe tempo na divulgação dos produtos nas redes sociais, com vídeos humorados e memes, além de aplicar dinheiro na manutenção de um site com todo o catálogo da marca. Essas duas soluções estão entre as mais conhecidas e utilizadas pelos empresários ouvidos na pesquisa. No total, 64% fazem vendas pelas redes sociais, enquanto 50% investem em sites otimizados para celulares e tablets. 

Jovem quer fazer da loja virtual a sua principal fonte de renda no futuro (Foto: Reprodução/Instagram)

Mas, mesmo dedicando tempo e dinheiro nessas ferramentas, muitas vezes falta o domínio. Os dados da Nuvemshop mostraram que, entre os empresários que não se sentem preparados para o futuro, 32% conhecem tecnologias para alavancar as vendas e apenas 8% aplicam essas ferramentas no seu negócio. A falta de segurança para ousar e crescer são questões que preocupa Vittoria, que confessa não se sentir preparada, mas pretende se capacitar em breve. 

"No mundo da internet sempre tem novidades, atualizações, a cada dia surge algo diferente para aprender e evoluir. Se você não acompanhar, você infelizmente fica para trás. Tenho vontade de fazer mais cursos de empreendedorismo, práticas de e-commerce, buscar entender comportamento do público que compra online." 

Mais dados  

  • Além das compras em redes sociais (64%) e dos sites otimizados (50%), outras tecnologias e modelos de vendas foram citados por entrevistados, como logística reserva (43%), produtos personalizados (34%), ponto de retirada física (32%) e produtos com marca própria (32%).  
  • Apenas 11% dos entrevistados afirmaram estar preparados para o futuro. Dentre eles, 60% conhecem as tecnologias citadas na pesquisa, mas adotam apenas 20% deles em seus negócios. Entre as ferramentas pouco utilizadas, aparecem o live commerce (10%), o aprendizado de máquina (1,9%) e o reconhecimento facial (0,5%).  
  • Apenas 2% dos empresários entrevistados aceitam pagamento por carteira eletrônica, enquanto nenhum deles permite o uso de criptomoedas, como o Bitcoin e a Ethereum. 
  • Mais de 60% dos entrevistados pretendem investir em vendas pelas redes sociais nos próximos anos, enquanto 35% apostam no comércio sustentável e nos chamados "produtos verdes". A venda direta para empresas (B2B) foi citada por 34% dos empreendedores. 

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