Vacinados escolhem Nordeste como destino no fim do ano

Lucas Eduardo Soares

Publicado 29/set7 min de leitura

Resumo

Além das capitais nordestinas, Rio de Janeiro, Campos do Jordão (SP) e Gramado (RS) estão entre os roteiros mais procurados para o último trimestre de 2021

Foto: Divulgação
Fortaleza (CE) é um dos destinos procurados por vacinados

Na medida em que a vacinação é ampliada no Brasil e mais brasileiros são imunizados com as duas doses contra a Covid-19, as buscas por viagens para o último trimestre de 2021 têm animado setores do Turismo. Com os últimos meses marcados pela necessidade de manter o isolamento para evitar a proliferação do novo coronavírus, a possibilidade de conhecer novos lugares com valores que caibam no bolso, somados à segurança sanitária, tem feito com que já tenha sido dada a largada das programações.

E já existem dados que comprovam esse movimento. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), entidade que representa 2,2 mil empresas no país, mostra que, apesar de os períodos de embarque serem diluídos durante o ano, foi registrado aumento na procura de passagens entre os meses de setembro e dezembro deste ano.

Conforme a Abav, o Nordeste é a região mais demandada, com destaque para capitais Natal (RN), Maceió (AL), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Aracaju (SE) e João Pessoa (PB). Outras cidades litorâneas também estão na preferência dos clientes, como Porto Seguro (BA), Porto de Galinhas (PE) e Lençóis Maranhenses (MA).

Outros destinos como Rio de Janeiro (RJ), Campos do Jordao (SP), Gramado (RS) e as cidades históricas mineiras também seguem na lista dos destinos mais procurados nas agências de viagens associadas.

De olho no relógio

Quem já está contando as horas para embarcar e colocar os pés na areia é Aniella Farina, de 41 anos. A professora mineira marcou viagem para a capital do Rio Grande do Norte neste mês, setembro, com o marido e a filha depois de receber as doses contra a Covid-19 e contra a gripe.


Citação
Antes, nós só havíamos pegado o carro e ido para praias mais próximas e hotéis-fazenda. Agora, vamos fugir do frio de Belo Horizonte e aproveitar o calor do Nordeste, fazendo tudo bem próximo para evitar grandes deslocamentos
Aniella Farina, professora

A procura também tem refletido na receita de empresas do segmento em 12 estados, conforme o Ministério do Turismo. "Demonstrando um reaquecimento do setor, o mais recente Índice de Atividades Turísticas do IBGE demonstrou, em maio, um aumento de 18,2%, impulsionado principalmente pelo crescimento na receita de empresas que atuam nos segmentos de transporte aéreo de passageiros (60,7%) e de alojamento e alimentação (18,0%)", afirmou a pasta.

De acordo com o Ministério, o país foi um dos primeiros do mundo a implementar protocolos sanitários no ramo e alcançou, no início de agosto, a marca de 29 mil Selos Turismo Responsável, Limpo e Seguro emitidos em todo o país. "A chancela é conferida a locais que se comprometem a cumprir protocolos de prevenção à Covid-19 e, desta forma, oferecem mais segurança a turistas e trabalhadores do setor", acrescentou.

Consumidor está atento aos protocolos

Ainda conforme o levantamento da Abav, feito com base em informações de agências espalhadas por todo o Brasil, os consumidores têm buscado por locais que seguem com mais rigor os protocolos de segurança, como resorts em sistema all inclusive – para não ser necessário sair para comer, por exemplo –, assim como tem dado atenção a traslados para os deslocamentos.

Exemplo disso é a bacharel em direito, Ludmila Brito, de 29 anos, que está na expectativa de conhecer mais uma cidade nordestina: João Pessoa, na Paraíba. Os preparativos para embarcar em dezembro passam pela esperança de receber as duas doses da vacina contra a Covid-19 até dezembro e pelo cuidado com o filho de nove meses, Miguel.

“Vamos dar prioridade para hotéis que ofereçam o maior número de serviços possível, para que consigamos resolver tudo de maneira rápida e continuar seguindo os protocolos que estiverem vigentes”, assegurou Ludmila.

Cuidados devem permanecer

O momento é de confiança com a chegada da vacina. Mas é importante lembrar que os cuidados devem ser seguidos. É o que reforça a médica infectologista e consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sylvia Lemos Hinrichsen. Segundo ela, as viagens podem ser seguras se observados os protocolos de distanciamento, de uso de máscaras e outras medidas sanitárias.

“Primeiro é pensar para onde vai e tentar viajar internamente. Ter a responsabilidade individual, com as medidas básicas e atentando ao compromisso coletivo, da imunização completa”, afirmou a especialista.

Para Sylvia, mesmo com o avanço da vacinação em todo o país é necessário que a maior parte da população esteja com a imunização completa, com as duas doses. E ela faz um alerta: “E ainda estão aplicando uma terceira [dose]”.

Empresas aéreas preveem malha doméstica a todo vapor em 2022

Com as projeções de que brasileiros maiores de 18 anos seriam vacinados com a primeira dose até setembro, conforme declarações de representantes do Ministério da Saúde, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) já observa recuperação da malha doméstica em relação ao ano passado. É o que explica o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz. De acordo com ele, em 2020 o país chegou à marca de apenas 8% da malha em funcionamento.

“Com o avanço da vacinação, observamos nos meses de maio, junho e julho crescimento das malhas e atingimos, em agosto, 70%”, mostrou Eduardo. A expectativa, de acordo com ele, é que no final do ano esse número bata 85% e esteja com toda a malha disponível ainda no primeiro trimestre de 2021.

Quando se trata da malha de voos internacionais, o cenário futuro é um pouco diferente. “Em agosto de 2021, a malha estava inferior a 20% e é uma retomada muito mais complexa porque há uma restrição muito forte a passageiros brasileiros – que estão atrás somente dos sul-africanos. E a abertura desses países não se dá com uma mudança de chave”, analisou.

Para o presidente da Abaer, na velocidade em que mais pessoas são imunizadas e que os protocolos continuem sendo seguidos, maior é a possibilidade de ver essa restrição cair.

Lucas Eduardo Soares

Repórter


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