Saúde é o que interessa: brasileiros consideram plano de saúde uma conquista

Alexandre Diniz

Publicado 08/nov7 min de leitura

Resumo

Pesquisa aponta que mais de 80% dos adultos no Brasil estão bem mais preocupados com a saúde após as inseguranças vividas com a pandemia; objetivo do estudo é mostrar a percepção sobre planos de saúde no país

Saúde é o bem mais precioso que o dinheiro não pode comprar. A máxima popular pode parecer gasta, ultrapassada e até soar um pouco piegas. Será? De uma hora para outra, uma pandemia. Várias inseguranças, pessoas hospitalizadas, gente que adoeceu, perdeu amigos e familiares. Pronto. Em menos de dois anos, a maioria dos brasileiros passou a adotar, sem pestanejar, a tal máxima de que saúde vem em primeiro lugar.

Foi o que mostrou uma pesquisa da Anab (Associação Nacional das Administradoras de Benefício) de Planos de Saúde, encomendada ao instituto Bateiah Estratégia e Reputação. Segundo os números apurados, 81% das pessoas sentem que a crise gerada pelo novo coronavírus fez aumentar o receio ao acesso (e a falta dele) a tratamentos médicos.

Entre os que possuem menor poder aquisitivo, com renda de até cinco salários mínimos, a preocupação aumentou consideravelmente. Sintomático: em um sistema público de saúde que trabalha incansavelmente mas enfrenta milhares de dificuldades de estrutura e logística, qual a alternativa almejada por grande parte população para se sentir mais segura? Um plano particular. No entanto, claro, nem todo mundo pode ter um. Mas para quem tem, quais as percepções gerais acerca deles? Quem exatamente os utiliza? O que os beneficiários julgam mais importante no serviço?

O plano de saúde como conquista

O contexto. A pesquisa da Anab foi feita com o objetivo de traçar um panorama dos planos de saúde no Brasil e trazer um perfil de seus beneficiários. Para levantar os dados, as entidades fizeram contato com mais de mil usuários de planos de saúde a partir de 16 anos em todo o país, com amostras em capitais, regiões metropolitanas e cidades do interior. Também consideraram fatores como gênero, idade, escolaridade, renda familiar e ocupação.

Os resultados. Quando observados os dados de gênero, 52,5% das mulheres sentiram que a preocupação com a saúde aumentou muito com a pandemia. Entre os mais velhos, 54% dos que possuem 50 anos ou mais também indicaram que a preocupação aumentou muito.

Em relação à renda familiar, o maior percentual de desconforto é entre aqueles que ganham de 2 a 5 salários mínimos (84,1%). Entre os brasileiros que ganham até 2 salários, 50,3% indicaram que a preocupação aumentou muito.

"O estudo é uma síntese do atual momento em que vivemos no país e reflete o olhar do brasileiro para questões de saúde e prevenção a doenças depois da pandemia. É uma análise dos anseios e desejos das pessoas para dar segurança ao maior bem que têm: a vida", explica o presidente da Anab, Alessandro Acayaba de Toledo.

Plano de saúde: objetivo a ser alcançado. A pesquisa aponta que os consumidores enxergam o plano de saúde como uma conquista, tal qual ter um imóvel, um veículo, realizar uma viagem ou ter investimentos. No geral, ter um plano representa a terceira maior conquista do brasileiro em 2021. Na faixa etária acima de 50 anos, por sua vez, o benefício só perde para a casa própria em importância.

Plano de saúde é considerado uma importante conquista de vida para milhões de brasileiros
Plano de saúde é considerado uma importante conquista de vida para milhões de brasileiros

Renda diretamente ligada à percepção de conquista. Isso mesmo. Quanto menor a renda familiar e o grau de escolaridade, maior é o reconhecimento do plano. Ao menos 18,7% dos respondentes que ganham até dois salários mínimos indicam o benefício como conquista, da mesma forma que 21,8% dos entrevistados com o ensino médio também reconhecem.

Plano de saúde é uma conquista importante, sobretudo para a população com renda menor
Plano de saúde é uma conquista importante, sobretudo para a população com renda menor

Quando mais velho, maior a preocupação. A percepção de que o plano de saúde é fundamental e representa uma importante conquista é ainda maior entre os entrevistados com 50 anos ou mais, que representam 25,5%. Mas é na parcela da população aposentada que o plano assume papel principal e toma a frente no ranking das conquistas dos brasileiros, deixando casa própria e automóvel para trás. Ao menos 50,6% dos entrevistados aposentados indicaram o plano como conquista.

Quanto mais idade, maior é a preocupação com a saúde. Para pessoas com mais de 50 anos, ter um plano está entre os principais objetivos de vida
Quanto mais idade, maior é a preocupação com a saúde. Para pessoas com mais de 50 anos, ter um plano está entre os principais objetivos de vida

Percepção dos planos

Ter um plano é se sentir seguro. O plano como conquista tem uma relação direta com a percepção de segurança do beneficiário sobre a saúde. Ao menos 69% dos entrevistados disseram que o benefício é uma salvaguarda em casos de necessidade. Para 31%, por sua vez, ele é uma necessidade recorrente.

Quando precisam utilizar os serviços do plano, a maioria dos beneficiários recorrem a consultas com especialistas (69%), seguida de exames (13,3%) e emergência (8,7%).

O valor do SUS. O levantamento da Anab também verificou que, mesmo com plano, 42% dos beneficiários utilizam serviços do SUS (Sistema Único de Saúde). O serviço de vacinação é o mais mencionado entre o uso no SUS, indicado por 49,3% dos respondentes. A procura é maior entre os mais velhos e a população com menor poder aquisitivo.

Quem tem plano, valoriza a rapidez no atendimento

Agilidade no atendimento. Esse é o fator mais importante em um plano de saúde, indicado por 24,2% dos respondentes da pesquisa. A facilidade de autorização de procedimentos aparece em segundo lugar com 15,4%, seguida pela rede médica contemplada no contrato, com 14,4%. No top cinco aparecem ainda serviços oferecidos (11,1%) e rede de profissionais (10,9%).

"A importância da agilidade como atributo aumenta quanto menor a renda familiar e a escolaridade dos respondentes. Esses pontos têm uma forte relação com o temor desses beneficiários ao risco de fatalidades em atendimentos delongados ou travados por processos burocráticos, especialmente por não disporem de grandes quantias em casos de emergências. O mesmo não é sentido entre os respondentes com maior poder aquisitivo, que certamente possuem outros recursos caso seja necessário", explica o diretor-presidente do Instituto Bateiah, Fábio da Silva Gomes.

Mas, afinal, quem utiliza plano de saúde?

Em um país tão diverso e com tantas diferenças sociais, qual o perfil médio dos usuários de planos de saúde? A pesquisa da ANAB constatou um dado interessante: o tipo de plano mais comum no Brasil é o plano coletivo empresarial, que representa ao menos 76% do total de beneficiários.

Os planos individuais correspondem a 18%, enquanto os planos do tipo coletivo por adesão, normalmente vinculados a uma categoria profissional ou área de atuação, representam 6% do universo de contratos.

Quando observado o fator idade, o plano coletivo empresarial é o tipo mais comum em todas as faixas etárias, mas possui ainda mais representatividade entre a população de 30 a 39 anos, cujo percentual corresponde a 82,6%.

Já os planos individuais e coletivos por adesão também possuem certo percentual entre os mais velhos, com 50 anos ou mais. Correspondem, respectivamente, a 23,6% e 12,2% do total dos entrevistados.

Quanto realmente vale ter um plano?

“Vale a pena eu contratar um plano de saúde?”. “Estou realmente disposto a continuar com ele caso o valor aumente?”. O estudo da Anab analisou a relação entre custo e benefício do serviço na visão dos clientes. Para 49,2% dos respondentes, a importância de ter um plano de saúde aumentou muito com a pandemia, no entanto, não são receptivos a possíveis aumentos.

A resistência é ainda maior entre os homens, que representam 51,5% dos que reconhecem a importância do plano, mas não estão dispostos a pagar mais por isso. Em relação à idade, o percentual é maior entre os respondentes de 40 a 49 anos. Esse grupo corresponde a 56,1% dos que não se dispõem a valores adicionais. No geral, apenas 20% dos entrevistados se mostram abertos a pagar mais pelo plano de saúde.

Em contrapartida, mesmo com as possibilidades de negociações de preço com as operadoras ou a mudança do plano via portabilidade de carências, 91,4% dos respondentes preferem deixar o benefício como está, e apenas 7,8% fariam mudanças para redução de custo.

Para Alessandro Acayaba de Toledo, presidente da Anab, o consumidor ainda é carente de informações claras sobre seus direitos no plano de saúde. Dados da pesquisa mostram que ao menos 35% dos beneficiários sentem algum nível de dificuldade ao analisar as propostas das operadoras.

"Nunca o brasileiro esteve tão preocupado com a saúde como hoje. A pandemia potencializou esse cuidado, e a instabilidade econômica é uma ameaça para essa manutenção do plano, especialmente entre os beneficiários com menor poder aquisitivo. Portanto, é fundamental que o consumidor tenha conhecimento desses direitos para tomar as melhores escolhas para sua saúde, inclusive a financeira", conclui Alessandro.

Alexandre Diniz

Repórter


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