Oito a cada 10 crianças brasileiras trocam alimentos saudáveis por industrializados

Redação Inset

Publicado 10/dez3 min de leitura

Resumo

Relatório da UFRJ mostrou que consumo de produtos ultraprocessados é maior entre as crianças do Norte e Nordeste; três a cada 10 crianças de 2 a 5 anos não comem frutas e verduras regularmente

Um relatório feito por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostrou que oito em cada 10 crianças com até 2 anos de idade consomem mais alimentos ultraprocessados do que saudáveis. Entre aqueles com 2 a 5 anos de idade, o número sobe para 9 a cada 10. O relatório faz parte do Enani (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil). 

O consumo de refeições com itens industrializados foi mais significativo entre as crianças de 6 meses a 2 anos que moram nas regiões Norte e Nordeste. Já entre as mais velhas, 2 a 5 anos, o consumo é maior no Sudeste (95,2%) e Sul (92,3%). Os estados do Centro-Oeste aparecem com os menores índices de consumo de industrializados, ficando abaixo da média nacional, por exemplo. 

Água, frutas e verduras

Outra parte do estudo revelou que 72% das crianças brasileiras com idade entre 6 meses e 2 anos bebem mais água do que outros tipos de líquido. Os menores índices neste quesito foram registrados nas regiões Sul (47,4%) e Norte (49,1%). Na faixa etária de 2 a 5 anos, a média nacional de consumo de água cai para 67%, com os destaques negativos ainda sendo registrados no Sul (38,2%) e Norte (47,6%). 

O relatório também revelou que, a cada 10 crianças brasileiras de 6 meses a 2 anos, duas não comem frutas ou hortaliças regularmente. Entre aquelas com 2 a 5 anos, o índice se aproxima dos 30%. Nas duas faixas etárias, o pior resultado foi registrado na região Norte: 29,4% entre os mais novos e quase 37% entre os mais velhos. 

Para Flavia Antunes Michaud, diretora presidente do Opy, instituto focado na promoção da saúde, os dados do estudo da UFRJ são preocupantes, já que boa parte das doenças crônicas tem relação com a ingestão de alimentos industrializados, normalmente ricos em sódio, açúcar e conservantes. 

“Sabemos que 20% dos nossos genes e saúde são influenciados por questões hereditárias, e todo o resto por fatores externos como alimentação, amamentação, medicamentos, quantidade de infecções e prática de exercícios. Precisamos entender que a promoção da saúde se tornou algo urgente. O cuidado com a alimentação das crianças é a base fundamental para prevenir diversas doenças em toda uma geração”. 

Foram entrevistadas mães de quase 15 mil crianças menores de 5 anos e residentes em todos os estados do país. Durante o estudo, as genitoras foram questionadas em relação a alimentação fornecida aos filhos no dia anterior, além de outras perguntas envolvendo o consumo de frutas, bebidas e número de refeições. O relatório completo está disponível no site do Enani


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