Entenda o que é e como funciona a terapia cognitivo-comportamental

Estadão Conteúdo

Publicado 04/ago3 min de leitura

Resumo

Esse tipo de psicoterapia pode ajudar o paciente a lidar melhor com pensamentos e sentimentos, além de auxiliar no tratamento de vários transtornos

Desenvolvida nos anos 60 pelo psiquiatra norte-americano Aaron Beck, a terapia cognitivo-comportamental, também conhecida como TCC, é uma abordagem psicoterapêutica baseada na combinação de conceitos do Behaviorismo (teoria que estuda a psicologia humana por meio da observação do comportamento) com teorias cognitivas (estudos sobre o processo de obtenção do conhecimento humano).

“A terapia cognitivo-comportamental entende que o que afeta o ser humano é a maneira como ele interpreta os acontecimentos pelos quais passa, e não os acontecimentos em si. Melhor dizendo, o modo como cada pessoa avalia, sente, vê e pensa a respeito de uma situação é o que pode lhe gerar tristeza, dor, incômodo ou outras sensações”, explica Roberto Debski, psicólogo e médico clínico geral.

Técnicas de tratamento

Segundo Debski, o principal objetivo da terapia cognitivo-comportamental é ajudar o paciente a encontrar e utilizar novas possibilidades de pensamentos funcionais que lhe possibilitem uma melhor adaptação a sua realidade social.

Por isso, a TCC possui técnicas específicas para o tratamento do paciente. De acordo com a psicóloga Elaine Di Sarno, esses manejos são voltados para o registro de pensamentos disfuncionais, questionamentos reflexivos, estruturação do processo de conhecimento, além de treinos de habilidades sociais e técnicas comportamentais, como a tomada de decisões e o controle dos pensamentos.

Benefícios da terapia cognitivo-comportamental

Além de auxiliar os pacientes a lidar com os acontecimentos, a terapia cognitivo-comportamental também oferece outros inúmeros benefícios. “A pesquisa e a prática clínica mostram que a TCC é efetiva na redução de sintomas e taxas de recorrência, com ou sem medicação, em uma ampla variedade de transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), crises de pânico, transtornos de humor, anorexia nervosa, Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e jogos patológicos”, explica a psicóloga Elaine Di Sarno.

Para quem a TCC é indicada?

De modo geral, todos podem se beneficiar com a terapia cognitivo-comportamental, seja criança, adulto ou idoso. “A TCC serve para qualquer pessoa que perceba que tem problemas, conflitos e sintomas que lhe limitam a vida, e que esteja em busca de se sentir melhor, transformando seus pensamentos e sentimentos”, afirma Roberto Debski.

Duração do tratamento

O tempo de duração de um tratamento com a abordagem cognitivo-comportamental varia de pessoa para pessoa. O psicólogo Ricardo Carvalho esclarece que alguns pacientes recebem alta entre quatro e oito meses após o início da terapia. Casos mais graves, no entanto, podem permanecer em acompanhamento por até quatro anos.

TCC e o uso de medicamentos

Como em outros tipos de psicoterapia, a abordagem cognitivo-comportamental também pode ou não ser alinhada ao uso de medicamentos. “Tudo vai depender da gravidade e dos sintomas do paciente. Algumas vezes, se faz necessário o uso de remédios, por exemplo, antidepressivos, visto que as alterações nos sistemas neurotransmissores podem derivar das interações do indivíduo com o ambiente”, analisa Elaine Di Sarno.

Diferenças entre TCC e demais psicoterapias

Segundo Roberto Debski, um dos pontos que mais distingue a TCC das demais psicoterapias é o fato de ela identificar claramente padrões de comportamento, crenças e hábitos que originam os problemas e, com um tratamento adequado, conseguir modificá-los.

Para o psicólogo Ricardo Carvalho, outro tópico que diferencia a abordagem cognitivo-comportamental é a respostas positiva que ela apresenta. “É a mais testada com critérios sólidos até hoje. Nesse sentido, do ponto de vista estatístico, é a que mais entrega resultados benéficos. Não nega a passagem do tempo e o momento social, se adapta ao novo sem perder a validade”, finaliza.


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