Em seis meses, companhias aéreas transportaram 2,6 mil itens para transplantes

Lucas Eduardo Soares

Publicado 29/jul3 min de leitura

Resumo

Órgãos, tecidos, insumos e equipes médicas foram transportados em 1.640 voos

Somente nos seis primeiros meses deste ano, as companhias aéreas brasileiras transportaram 2.581 itens para transplantes – como órgãos, tecidos, insumos e até equipes médicas – em 1.640 voos nacionais. Os dados são da CNT (Central Nacional de Transplantes), por meio de sua parceria com o Ministério da Saúde. Agilidade na condução é crucial e pode salvar muitas vidas que dependem dessas operações e dos gestos de solidariedade.

Pelo ar, além das companhias brasileiras, outras empresas estrangeiras e a FAB (Força Aérea Brasileira) também se movimentaram. Seja no céu ou em trajetos terrestres e de serviço postal, 1.070 itens foram transportados em pelo menos 360 voos. Levando em conta as aéreas nacionais, ao todo foram 3.651 itens de janeiro a junho, em 2 mil voos.

Atitudes, em todas as suas esferas, são necessárias e podem salvar vidas. Uma dessas ações é o programa Asas do Bem, lançado pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) em 2014 e que consiste basicamente em conscientizar suas associadas e divulgar a importância do transporte gratuito de órgãos, tecidos, equipes médicas e materiais.

A contribuição da aviação comercial no transporte de órgãos, de acordo com a entidade, teve início em 2001, e esse esforço é conjunto. Além da Abear, participam Ministério da Saúde, o Ministério da Infraestrutura, o Comando da Aeronáutica, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a Infraero, aeroportos concessionados e a ANEAA (Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos).

Já em 2018, em continuação ao projeto, a Abear lançou a Jornada Asas do Bem. Nessa fase, uma série de palestras presenciais e remotas são feitas com a finalidade de destacar a importância da doação de órgãos e, consequentemente, a contribuição da aviação para viabilizar os transplantes.

De acordo com a associação, as apresentações são realizadas pelo publicitário Alexandre Barroso, três vezes transplantado, e já percorreram 15 estados e o Distrito Federal, reunindo cerca de 4 mil pessoas em eventos promovidos por hospitais, centrais de transplantes, companhias aéreas e iniciativas sociais.

"O Programa Asas do Bem é motivo de orgulho para a Abear e suas associadas, pois somente as companhias aéreas conseguem viabilizar o transporte de órgãos, tecidos, insumos e profissionais de saúde com a agilidade necessária para o sucesso dos transplantes. Trata-se de uma logística complexa, pois cada minuto é primordial para garantir a integridade dos órgãos que salvarão vidas”, afirma a diretora de Relações Institucionais da Abear, Jurema Monteiro.

Doação põe Brasil em destaque, mas ainda é preciso conscientizar

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo. Esse modelo é garantido a toda a população por meio do SUS, responsável pelo financiamento de cerca de 95% dos transplantes no país. De acordo com a pasta, apesar do volume intenso de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas em lista de espera para receber um órgão ainda é longa.

Em uma frente para garantir que a população brasileira tenha acesso a esses serviços de transplante, o ministério acredita que o ponto principal nesses casos passa pela conscientização sobre todas as etapas do procedimento: desde o diagnóstico de morte encefálica, condição do corpo humano em que ocorre a perda completa e irreversível das funções encefálicas cerebrais, até a recuperação do paciente que recebeu um novo órgão.

Dessa forma, a doação de órgãos e tecidos só pode ser feita quando há caso de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória, se houver autorização de um familiar, como previsto em lei. De um mesmo doador, explica a Saúde, é possível obter órgãos e tecidos como rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.

“Na maioria das vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para as pessoas que precisam da doação. Todos os anos, milhares de vidas são salvas por meio desse gesto”, informa o ministério.


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