“Chama o síndico”: Os segredos e novidades para melhorar a vida em condomínios

Alexandre Diniz

Publicado 03/jan7 min de leitura

Resumo

Comunicação, gestão de pessoas, cuidados com o meio ambiente, segurança e vários outros desafios são enfrentados por síndicos todos os dias para garantir a harmonia e bom funcionamento do condomínio. E a situação ficou ainda mais delicada com a pandemia

“Essa escada é pra ficar aqui fora. Eu vou chamar o síndico”. A frase é famosa. Escutada e cantada na música de Jorge Bem Jor ela fica até agradável, não é mesmo? Mas a verdade é que ela mostra, de maneira descontraída, claro, uma realidade bem mais séria: a difícil relação de convivência das pessoas dentro dos condomínios. Em cidades cada vez mais verticais, é assim. Todo ponto fora da curva ou motivo de discordância entre vizinhos pode virar uma mini “crise de estado” desse ecossistema tão único que é um edifício (ou conjunto de edifícios).

E no meio disso tudo é justamente uma figura que entra em cena para organizar, intermediar, ouvir, falar, resolver: o síndico. Amado por poucos, criticado por muitos, mas necessário para manter o equilíbrio e o bom funcionamento dos condomínios. Quais os desafios ele enfrenta? A pandemia modificou a atuação dele no dia a dia? Além disso, quais as melhores soluções atualmente para garantir a melhor convivência e funcionamento nos edifícios? O Inset foi atrás das respostas.

Mais gente em casa com a pandemia. Mais dificuldades à vista

A pandemia evidenciou, sem sombra de dúvidas, as dificuldades enfrentadas pelos síndicos diariamente. Isso porque em tempos de isolamento e home office, o condomínio se tornava ainda mais habitado durante o dia pelas famílias. Da experiência vivida ficou uma certeza: várias mudanças e desafios vieram para ficar, e cada vez mais os condomínios precisam fazer com que a administração seja conduzida de maneira organizada, se valendo das novas tecnologias de gestão e comunicação. Por quê? Isso previne uma série de conflitos, afinal, não existe nada mais chato que briga de condomínio, não é?

"O síndico é um mediador e precisa mudar a postura, se adaptar. Precisa treinar como lidar com pessoas. Porque nos condomínios nem sempre uma solução jurídica vai resolver o conflito. É preciso muita conversa, bom senso. Quem exerce esse papel precisa conhecer cada pessoa que vive lá. O condomínio é feito para ser o local em que se pratica o bem viver, contribuindo inclusive para a saúde mental das pessoas", enfatiza o gerente geral de Condomínios Clube e Corporate da APSA (empresa de gestão no ramo), Edgar Poschetzky.

Novidades que chegam para ajudar

Inovação a serviço da boa convivência e do funcionamento correto dos processos. Inegável perceber que várias novidades estão impactando os condomínios e facilitando a vida de quem os administra. Muitas delas ancoradas justamente em novas tecnologias, com o propósito de reduzir custos e prazos, aumentar a eficácia dos serviços e trazer mais facilidades e comodidades aos síndicos e condôminos. 

A gestão integrada é uma dessas alternativas. Nela, muitos dos processos são conduzidos de maneira digital. Prestação de contas, envio de documentos, comunicados, reservas de espaços, boletos. Tudo com muito mais facilidade.

“A pandemia acelerou a transformação do mercado condominial. Existe uma crescente demanda para todas as tecnologias, que vão desde as portarias remotas à segunda geração de aplicativos para condomínios. Diversas fintechs chegam trazendo facilidades, como garantia de receita, conta digital, compra de inadimplência, linhas de crédito, pagamentos de cotas condominiais via cartão de crédito, mercadinhos sem atendentes (honest market) e vending machines. Fora isso, grandes marcas trouxeram serviços para os condomínios, como a lavanderia compartilhada da OMO, as lojas AM/PM, o Sem Parar e a Ambev", comenta Poschetzky.

Digital estimula a participação. Um bom exemplo de como as tecnologias podem melhorar a vida em condomínio veio das assembleias virtuais. Com o modelo virtual ou híbrido, a participação, que não passava de 20% dos moradores, muitas vezes, alcançou quórum de até 70%.

Além delas, outras ações tecnológicas vêm sendo implementadas para cortar os gastos elevados do mês. Um exemplo é a adoção de portaria remota, em que o contato com o morador é feito por telefone por um profissional distante que monitora a entrada por câmeras. Fechaduras eletrônicas e com biometria garantem o acesso dos moradores e até visitantes cadastrados.

“Os condomínios estão ainda instalando áreas de entregas de encomendas e alguns possuem até geladeira para alimentos, dispensando qualquer contato humano até que o morador possa fazer a retirada”, completa Edgar.

Gestão: e com o que os síndicos devem se preocupar?

Para o especialista, o grande desafio agora é evoluir nas questões ligadas à governança, meio ambiente e pessoas, a famosa sigla ESG, que em inglês significa Enviromental, Social and Corpore Governance.

"Enfrentamos ainda um quadro de ameaça de crise hídrica e energética. Por isso, entre as demandas mais urgentes estão aumento do uso de energia solar, captação de água de chuva, uso de lâmpadas de led, coleta seletiva, criação de hortas comunitárias, cumprimento e melhorias de regras e condições de trabalho, incluindo deficientes, dentre outras”, diz Edgar.

Até as crianças devem se envolver. O gerente geral conta que em alguns condomínios, para passar adiante o princípio da boa convivência, foram criados conselhos mirins para que os pequenos ficassem mais cientes dos seus papéis, direitos e deveres dentro daquele ambiente. “Todas essas ações vão culminar em maior economia, redução de custos, retenção de talentos, reputação, produtividade e valorização do patrimônio. Para se viver bem, há de se mudar a forma como os condomínios são geridos", enfatizou.

Algumas medidas que vêm dando muito certo

É síndico e não sabe como prevenir ou resolver a bagunça que virou o dia a dia do seu condomínio? É morador e quer dar dicas para o síndico a fim de melhorar a convivência e funcionamento do prédio (que anda meio devagar)? O gerente de Negócios da APSA, Alan Galvão, elenca algumas medidas que podem ser muito interessantes. Confira:

Medidas para melhorar o funcionamento e convivência nos condomínios
Simples ou mais elaboradas, algumas ações podem cortar custos e melhorar muito o funcionamento dos condomínios. E melhorou funcionamento, melhorou a convivência.

Alexandre Diniz

Repórter


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