Brasileiros em capitais gastam, em média, 21 dias por ano no trânsito

Lucas Eduardo Soares

Publicado 22/jun3 min de leitura

Resumo

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que deslocamento nos grandes centros "engole" duas horas por dia

Trânsito em Brasília (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Trânsito em Brasília (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Nas idas e vindas do dia a dia, brasileiros que vivem em grandes centros urbanos passam pelo menos duas horas por dia no trânsito, em média. Seja para ir ao trabalho, para a escola ou até mesmo para comprar algo de que necessite, esse tempo nos deslocamentos, muitas vezes feitos por meio do transporte público, no fim das contas é mais do que precioso. É que, por ano, essas horas "engolidas" somam mais de 21 dias. Ou seja: é como se o cidadão ficasse três semanas consecutivas dentro de um ônibus. Sem trégua.

Esses dados são da Pesquisa Mobilidade Urbana 2022, levantamento feito pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com Sebrae. Participaram do estudo residentes de todas as capitais brasileiras, de todas as classes socioeconômicas – excluindo analfabetos. A metodologia tem confiança de 95% com margem de erro de 3.5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo os entrevistados, enquanto 28% disseram gastar de 30 minutos a 1 hora por dia em trânsito, outros 32% confessaram levar entre 1 e 2 duas horas nas ruas e avenidas dos grandes centros. Houve uma queda de 19% se comparados os dados deste ano com os de 2017. Mas os minutos nos engarrafamentos ainda são muitos, o equivalente a 1h04 minutos por dia.

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, mudanças significativas no comportamento da população em relação ao transporte ocorreram com a pandemia. Adoção de modelo híbrido e até home office, diz ele, pode ter ajudado na redução do tempo no trânsito.

“A mobilidade urbana está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social de uma região. Por exemplo, o tempo que um trabalhador passa no trânsito impacta diretamente no seu bem-estar e sobre a sua produtividade”, diz Costa. “Neste sentido, como representantes do setor produtivo, queremos abrir a via do debate e das políticas públicas, possibilitando avanços na qualidade de vida das pessoas e no desempenho econômico”.

Transporte público reprovado

Se é para avaliar, os usuários do transporte público têm algo a dizer. Os entrevistados foram perguntados sobre a avaliação do trânsito em suas cidades e apenas 10% consideraram bom ou ótimo. Em contrapartida, 58% disseram considerar ruim ou péssimo, enquanto 32% acham regular.

De acordo com a pesquisa, esse é o principal meio de transporte para ir ao trabalho ou para a escola. Apesar de o perfil variar do dia a dia para as saídas de lazer, os ônibus são a modalidade mais citada, mencionada por 50% dos entrevistados entre os que usam para as atividades do cotidiano. Esse número cai para 31% quando quem responde são as classes A e B.

Os carros aparecem na sequência entre aqueles que usam o veículo para trabalhar, citados por 32% das pessoas. Quando as classes A e B respondem esse número sobe para 59%. Locomoção a pé é citada por 22%, apps de transporte por 16%, moto por 11% e metrô por 11%.

Para lazer, os automóveis são os mais utilizados. Os veículos são citados por 39% das pessoas. Logo atrás, os apps de transporte se destacam, lembrados por 28%, número maior do que o registrado em 2017, quando o percentual era de 18%. Os carros ainda foram apontados quando o destaque são as idas de supermercado (38%), apesar de que para compras feitas perto de casa 63% preferem ir andando.


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