É "muito improvável" que BCE eleve os juros em 2022, diz Lagarde

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Publicado 03/nov2 min de leitura

FRANKFURT (Reuters) - É muito improvável que o Banco Central Europeu (BCE) eleve as taxas de juros no ano que vem, já que a inflação continua baixa demais, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, nesta quarta-feira, reagindo a apostas do mercado em uma mudança já em outubro de 2022.


"Em nossa orientação futura para as taxas de juros, articulamos claramente as três condições que precisam ser satisfeitas antes de as taxas começarem a subir", disse ela em um evento em Lisboa.


"Apesar da atual disparada da inflação, a perspectiva para a inflação no médio prazo continua contida, e portanto é muito improvável que estas três condições sejam satisfeitas no próximo ano".


Na semana passada, Lagarde foi incapaz de reprimir as expectativas do mercado, e investidores até precificaram brevemente duas altas no ano que vem para depois recuarem e preverem um aumento no próximo mês de outubro.


"As taxas de juros do mercado subiram nas últimas semanas, sobretudo como resultado da maior incerteza do mercado sobre a perspectiva de inflação, contágios do exterior sobre as expectativas de juros na área do euro e algumas questões sobre a calibração das compras de ativos em um mundo pós-pandemia", disse Lagarde.


Ela também repudiou o aumento recente dos rendimentos, alertando que o BCE continuará a usar a compra de ativos de emergência para conter os custos dos empréstimos.


"Um endurecimento indevido das condições financeiras não é desejável em um momento no qual o poder de compra já está sendo espremido por contas maiores de energia e combustível, e representaria um obstáculo injustificável para a recuperação".


O BCE e investidores financeiros têm se desentendido a respeito do rumo provável da inflação, a métrica mais importante para a política monetária.


Enquanto o BCE vê o crescimento dos preços recuando de níveis acima de 4% para abaixo de sua meta de 2% no ano que vem, os investidores estão apostando em pressões mais duradouras sobre os preços que desencadeariam o aperto da política monetária.


(Por Balazs Koranyi; reportagem adicional de Sergio Gonçalves em Lisboa)

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