Argentina suspende registro de exportação de óleo de soja e farelo

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Publicado 14/mar3 min de leitura

Por Jorge Iorio e Eliana Raszewski


BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina suspendeu o registro de vendas de exportação de óleo e farelo de soja, disse o governo do país sul-americano em comunicado no domingo, atraindo rápida condenação da indústria do maior exportador mundial de produtos processados ​​de soja.


A medida interrompe as vendas e exportações da safra 2021/22, embora os embarques físicos não tenham sido iniciados porque não houve colheita.


A decisão da Argentina, o maior exportador global de farelo e óleo de soja, provavelmente vai agitar o mercado mundial de soja, que viu os preços dispararem com a invasão russa à Ucrânia.


As exportações médias mensais da Argentina ficaram em 1,5 milhão de toneladas de farelo e 300.000 toneladas de óleo de soja em 2021, segundo a agência marítima NABSA.


O país deverá responder por 41% das exportações globais de farelo de soja e 48% das exportações mundiais de óleo de soja na safra 2021-22, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.


O subsecretário de mercados agrícolas disse em comunicado que os registros de exportação de óleo de soja, farelo de soja e outros produtos relacionados serão imediatamente interrompidos, uma medida que ocorre antes da colheita de 2021/22, que começa dentro de algumas semanas.


Cerca de 5 milhões de toneladas de óleo de soja e outros subprodutos de soja da campanha 2021/22 até agora foram formalmente registrados para exportação, mostraram dados do governo.


A câmara local de processadores e exportadores de oleaginosas CIARA, que representa a indústria, disse que o governo encerrou o registro de exportação porque, segundo a câmara, queria aumentar as tarifas "em dois pontos" sobre as exportações.


"É totalmente contrário ao interesse exportador da Argentina", disse a câmara no Twitter.


"Além de ilegal, afetará a renda de divisas e o emprego na cadeia agroindustrial."


A declaração do governo não fez menção às tarifas de exportação, embora estas tenham sido um ponto de tensão entre agricultores e exportadores.


O governo, lutando contra altas dívidas, precisa da receita em dólar e das receitas tributárias das vendas de soja, principal produto de exportação da Argentina.


As exportações de óleo de soja e farelo da Argentina são atualmente tributadas em 31%. A safra de soja 2021/22 do país está estimada entre 40 milhões e 42 milhões de toneladas, embora tenha sido duramente atingida pela seca no início do ano.


Traders de soja disseram que a interrupção repentina nos fornecimentos argentinos direcionará os importadores para os Estados Unidos e o Brasil para suprimentos de reposição.


"Os compradores não têm escolha a não ser reduzir o consumo ou buscar fontes alternativas de suprimentos", disse um trader de Cingapura.


"Esperamos uma demanda maior por farelo dos EUA. No Sudeste Asiático, compradores como Indonésia, Malásia e Tailândia dependiam fortemente do farelo argentino."


(Com reportagem adicional de Gavin Maguire e Naveen Thukral)

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