Alta em NY após CPI dos EUA dentro do previsto anima Ibovespa a 105 mil pontos

Estadão Conteúdo

Publicado 12/jan4 min de leitura
Após abrir em alta nesta quarta-feira, o Ibovespa acelerou ainda mais o ritmo de alta após a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos, renovando máximas já na faixa dos 105 mil pontos, após abrir aos 103.778,98 pontos. No geral, os indicadores inflacionários americanos vieram alinhados com as expectativas do mercado, reforçando a ideia de alta antecipada do juro americano e de forma mais rápida. Outro dado importante para balizar essa avaliação será a divulgação também nos EUA do Livro Bege (às 16 horas, de Brasília).

"O CPI só confirmou a fala de ontem do Powell Jerome, presidente do Fed", avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Segundo ele, a "previsibilidade" indicada pela autoridade monetária na terça-feira provoca alta da Bolsa e queda do dólar nesta quarta. Na terça, ao ser reconduzido ao cargo em sabatina no Senado, Powell ainda afirmou que a redução do balanço patrimonial do BC do país não deve ser imediata.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,5% em dezembro, ante novembro, no confronto com previsão de 0,4%. A leitura anual do CPI é a mais forte desde 1982 no país. Na comparação anual, o CPI subiu 7,0% em dezembro, como esperado.

Como não houve surpresas, a alta prosseguiu, reforça Rodrigo Knudsen, gestor da Vítreo. "O mercado reagiu bem à fala do Powell pela transparência", afirma. No entanto, Knudsen, pondera que este cenário tem riscos, por causa do sentimento ruim no Brasil em razão da inflação elevada e do aumento da Selic, que tende a acelerar para conter este processo em um contexto eleitoral.

Para Laatus, este movimento de alta do Ibovespa e de queda do dólar hoje pode não ser consistente, exatamente por conta dos problemas locais, como inflação alta e o fato de ser ano eleitoral.

Alta do índice Bovespa vem pelo segundo dia seguida, após subir 1,80%, aos 103.778,98 pontos, e hoje ainda ficam no radar do investidor local o vencimento de opções sobre Ibovespa, que pode trazer volatilidade, além de preocupações com a covid-19 no Brasil. Ao menos sete Estados brasileiros anunciaram nos últimos dias medidas mais restritivas para conter a alta dos casos de coronavírus. São Paulo deve anunciar mudanças neste sentido nesta quarta, fator que pode pressionar para baixo ações ligadas ao consumo de forma geral.

Para completar, há dúvidas a respeito da velocidade do crescimento chinês. Isso porque hoje saiu o índice de preços ao produtor (PPI) da China. O dado subiu 10,3% em dezembro, ante igual mês do ano passado, e desacelerou em relação aos 12,9% registrados em novembro. O resultado ficou abaixo da previsão de 11,2% do mercado, ventilando entre alguns analistas a possibilidade de que Pequim adote estímulos e relaxe sua política monetária.

O entendimento de que mais medidas para animar a economia chinesa serão adotadas impulsiona os papéis do setor metálico, ainda puxado pela alta do minério de ferro, de 3,49%, a US$ 133,68 a tonelada, no porto chinês de Qingdao.

Tanto que no Ibovespa as principais altas são de ações ligadas ao segmento e ainda tem as da Petrobras. Vale ON subia 1,53% às 11h08, enquanto CSN ON, 2,82%. Já Petrobras tinha valorização de 1,73% (PN) e de 1,25% (ON).

Ontem, a estatal elevou os preços da gasolina e do diesel nas refinarias. Ao comentar o assunto hoje, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse não tem controle sobre a política de preços da Petrobras. "O combustível encareceu no mundo todo", afirmou o chefe do Executivo, em entrevista à Gazeta Brasil, um site que o apoia, ao ser questionado se o aumento do preço da gasolina poderia "cair como uma bomba" em ano eleitoral.

Às 11h09, o Ibovespa subia 1,28%, aos 105.105,63 pontos, em alta de 1,28%, na máxima diária.

Estadão Conteúdo

Agências


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