Veja dicas para economizar combustível que vão além do óbvio

Izabella Souza

Publicado 20/jun7 min de leitura

Resumo

Até mesmo o seu jeito de dirigir pode influenciar o consumo de combustível do seu veículo; especialistas ensinam como economizar mais

E veio aí mais um temido aumento no preço dos combustíveis. Na manhã da última sexta-feira (17), a Petrobras anunciou um novo reajuste de 5,18% no valor da gasolina e de 14,26% no preço do diesel, medida que já está valendo desde sábado (18).

Sendo assim, o extenso trabalho de procurar por formas de economizar continua. Não é uma tarefa fácil nem agradável, mas cada vez mais necessária em todas as esferas da vida cotidiana.

No caso dos combustíveis, vale dar atenção inclusive a alguns cuidados que muita gente nem imagina que podem fazer diferença. Carregar menos peso no carro, por favor. Sabia que isso pode ajudar a reduzir o consumo? Pois é! Confira mais algumas dicas compiladas pelo Inset com especialistas do mercado:

Mantenha os pneus calibrados

A primeira indicação é manter os pneus calibrados de forma correta, seguindo as recomendações do fabricante do veículo, nas diferentes condições de carga e uso. Hugo Terazaki, gerente de serviços técnicos e pós-vendas da Dunlop Pneus, recomenda que a verificação seja realizada no máximo a cada 15 dias e com os pneus frios, preferencialmente.

O especialista alerta que andar com pressão abaixo da estipulada pelo fabricante aumenta o contato dos pneus com o solo, gerando maior resistência à rolagem e ampliando o consumo de combustível. A falta desse cuidado acaba exigindo muito mais do motor para atingir a velocidade desejada, resultando em um desgaste irregular da banda de rodagem, o que também abrevia a vida útil dos pneus.

“Se detectar desgaste irregular, ou o veículo apresentar vibração e ruídos ao rodar, leve-o imediatamente a uma loja especializada para verificar os sistemas de suspensão, direção e freios. Além, claro, de alinhamento e balanceamento,” reforça Hugo.

Confira regularmente a geometria da suspensão do veículo

Falando em alinhamento e balanceamento, outro aspecto que envolve pneus e rodas, e que pode ajudar a diminuir o consumo de combustível, é a geometria das rodas fora dos valores de referência recomendados. Rodas desalinhadas provocam um aumento excessivo do atrito entre os pneus e a pista de rolamento, o que demanda maior energia durante o deslocamento. Uma dificuldade maior para o carro se locomover, pois as rodas se arrastam. Isso diminui a vida útil dos pneus, aumenta o risco de acidentes e o consumo de combustível.

Cuidado com peso carregado, ar-condicionado e acessórios

O peso do veículo também influencia o consumo de combustível. Por isso, verifique se o que está sendo transportado é realmente necessário para o dia a dia. O ideal é sempre olhar o porta-malas e o interior do veículo antes de sair, mantendo apenas o essencial.

Em relação ao ar-condicionado, o jeito é só usá-lo quando não houver outra saída. Quanto mais tempo com o ar ligado, mais combustível será gasto: em torno de 10% a mais que o normal.

Outro ponto importante é evitar acessórios desnecessários, que alteram as características originais do veículo. Isso porque eles provocam mais resistência contra o ar, prejudicando a aerodinâmica e aumentando o consumo final.

Preste atenção ao seu modo de dirigir

De acordo com Leandro Stangherlin, professor do curso de Engenharia Mecânica da Faculdade Pitágoras, suavidade na troca de marcha e aceleradas desnecessárias são alguns dos motivos que mais consomem combustível. Exagerar na velocidade é outro: além de ser perigoso para todos à sua volta, dirigir o carro como se você estivesse num filme de corrida faz você gastar mais. Por isso, a dica é evitar ultrapassagens perigosas e acelerar sempre de maneira suave e progressiva, conforme o veículo aumenta a velocidade.


Citação
As altas velocidades também devem ser evitadas. Quando o automóvel está a 100 km/h, ele consome aproximadamente 20% a mais do que quando está a 80 km/h."
Leandro Stangherlin, professor do curso de Engenharia Mecânica da Faculdade Pitágoras

O engenheiro alerta também que muitos motoristas têm o costume de manter o carro em ponto morto. Porém, além de comprometer a segurança dos ocupantes do automóvel, isso não gera economia.

“Há uma crença entra algumas pessoas de que circular com o carro em ponto neutro é uma ação que vai proporcionar economia. Mas é uma crença errônea já que o motor continua recebendo combustível, além do freio demorar a responder, uma vez que o veículo está desengatado. Essa medida só deve ser adotada quando o carro estiver parado ou em casos de congestionamentos, mas é válido destacar que transitar com câmbio manual geral desgastes na caixa de marcha”.

Mantenha a manutenção em dia

Além de evitar dor de cabeça, manter a manutenção do carro também é essencial na hora da economia. “O estado de conservação de velas, filtro e pneus deve ser levado em consideração. O condutor não deve adiar ajustes nesses itens, pois eles podem comprometer o funcionamento da direção e da suspensão, e, como consequência, elevar o consumo do veículo”, explica o professor.

Abasteça em postos de confiança

Sempre abasteça em postos de confiança e, caso note diferença de desempenho ou trepidações excessivas em marcha lenta logo após abastecer, leve o seu veículo imediatamente ao mecânico de confiança para informar o ocorrido. Apostar em combustíveis muito mais baratos e sem procedência pode gerar uma enorme dor de cabeça e ainda ser perigoso para a sua segurança.

A dica é de Thiago Chagas, consultor automotivo da mecânica Ricardo Kotaba: “Atente-se a combustíveis muito baratos. Além de todos os problemas que a gasolina adulterada causa, este tipo de ‘combustível’ também faz com que o motorista gaste mais com o abastecimento. A gasolina adulterada é consumida de forma mais rápida e não há a queima ideal. Ao notar essa ‘queima errada’, o sensor de oxigênio manda sinal para que mais combustível seja injetado, a fim de impulsionar a explosão”, explica.

E por falar em gasolina, ao contrário do que se imagina, rodar com o tanque vazio ou cheio não influencia diretamente no consumo de gasolina. De qualquer forma, não é recomendável trafegar com o tanque “na reserva”, pois isso pode prejudicar o funcionamento da bomba. Sendo assim, o ideal é que o motorista transite com, no mínimo, ¼ de combustível.

GNV vs Combustível

Com o aumento do preço do combustível, há motoristas que consideram a conversão para GNV (Gás Natural Veicular). Mas antes de se decidir, Tiago diz que diversos aspectos devem ser levados em conta, tais como a forma de uso do carro e a quilometragem que o automóvel roda.

“No caso de carros que fazem curtas distâncias, eu desaconselho a instalação do GNV; não só pelo preço do kit, mas também pelo desgaste que o motor sofre com a mudança, apesar de tal problema ter diminuído com o avanço tecnológico dos sistemas GNVs mais recentes. Para a pessoa recuperar o investimento do kit, ela terá que rodar muito por semana/mês, então para motoristas de aplicativo pode ser interessante”, explica o especialista.

Acompanhe a média dos preços tabelados

É sempre importante ressaltar que os postos de combustível não podem aumentar o preço sem antes existir um reajuste no preço nas refinarias. A formação do valor dos combustíveis é complexa e contempla custos de produção, distribuição, comercialização e tributos, e os valores são tabelados somente nas distribuidoras -, que possuem autonomia para definir os preços cobrados pelo litro da gasolina, do etanol e do diesel.

Mariana Rinaldi, especialista da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, diz que os consumidores podem acompanhar a média dos preços tabelados, e contornar possíveis situações em que haja um abuso na cobrança. 

“É possível acessar as informações através dos dados disponibilizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além disso, é fundamental que o consumidor requeira a nota fiscal, que é o documento fundamental no encaminhamento de possíveis denúncias”, conclui.

Izabella Souza

Repórter


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