Veja como ficam os investimentos com nova alta do juro básico

Letícia Almeida

Publicado 04/ago3 min de leitura

Resumo

Aplicações de baixo risco e com retornos nos patamares da Selic é alternativa atrativa para o investidor; recomendação de diversificar a carteira continua valendo

A expectativa do mercado financeiro de que o Copom (Comitê de Política Monetária) elevasse a Selic se confirmou. Nesta quarta-feira (3), o Comitê anunciou acréscimo de 0,5 ponto percentual no indicador, que saiu de 13,25% para 13,75% – o maior patamar dos últimos seis anos.

O 12º aumento consecutivo do juro base do país vai refletir diretamente no bolso dos brasileiros. O acesso ao crédito, por exemplo, vai ficar ainda mais difícil, já que as taxas de financiamento, empréstimos e parcelamento de compras no cartão – todas atreladas à Selic – tornam-se mais elevadas. Por outro lado, quem tem investimentos ou quer começar a investir vai sair ganhando, especialmente quem mirar em ativos de renda fixa.

"Com o aumento da Selic, a renda fixa, que já tinha uma boa perspectiva, fica ainda melhor. O investidor deve apostar em aplicações de baixo risco e com retornos nos patamares da Selic, que é considerado uma excelente remuneração", destaca o coordenador do MBA de Finanças do Ibmec, Fabiano Santos.

A recomendação é semelhante à do sócio da empresa especializada em assessoria de investimentos WFlow, Paulo Saad. Ele lembra que com juros mais altos, o retorno oferecido por títulos do Tesouro Direto e CDBs (Certificado de Depósito Bancário) é maior, já que essas aplicações têm o rendimento ligados à Selic. Ou seja: se a taxa aumenta, a rentabilidade também cresce.

Os títulos privados como Debêntures (títulos emitidos por empresas para financiar seus projetos e operações), LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) também são boas opções diante da alta do juro.

“Investir em renda fixa com taxas pós-fixadas acima de 110% do CDI garante boa rentabilidade e defesa caso o cenário de alta [dos juros] continue”, afirma Saad.

Já o sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, Idean Alves, acredita que o momento pede muita prudência e paciência. Para quem quer aproveitar as taxas altas para investir, o especialista recomenda alguns cuidados.

Um deles é com os ativos ligados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Segundo Alves, esses produtos estão com uma volatilidade muito elevada e, quanto mais a inflação reduzir, mais essa volatilidade vai aumentar. Títulos pré e pós-fixados muito longos também requerem atenção, pois caso o investidor precise resgatar o dinheiro antes do prazo de vencimento, poderá ter prejuízo, visto que o cenário econômico futuro ainda é incerto. 

Diversificação é regra número um  

Em qualquer circunstância, a indicação dos especialistas é a mesma: não colocar todos os ovos em um único cesto. Trocando em miúdos, o investidor nunca deve apostar todo o patrimônio – seja qual for o valor – em apenas um ativo. "O melhor caminho é diversificar e não ficar muito direcional, tentando acertar o time ou para onde vai o mercado", aconselha Alves, da Ação Brasil Investimentos.

Especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, Ricardo Jorge orienta como o investidor pode organizar a carteira para diversificar no atual momento: a sugestão é investir 60% em pós-fixados, 20% em pré-fixados e 20% em ativos atrelados ao IPCA. Por prazo máximo, a sugestão é de 5 a 6 anos.

"Se o investidor tem um ótimo planejamento financeiro, pode aplicar até 2029, por exemplo. Como temos uma taxa alta, se tiver bom planejamento, pode aproveitar essa taxa alta por mais tempo", finaliza o especialista.

Letícia Almeida

Repórter


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