Vai investir na bolsa? Não se deixe levar pelas altas e não se assuste com as perdas

Lucas Eduardo Soares

Publicado 27/out4 min de leitura

Resumo

Em live na Inter Week, especialistas reforçam que diversificar a carteira é o lema de quem investe e de quem estuda o assunto

“Diversifique a carteira de investimentos” é o lema de quem investe de quem estuda o assunto. A frase é capaz de sugerir algo simples. Porém, na prática, pode ser difícil entender as variáveis em torno dos investimentos e contextualizar a série de eventos recentes no país – como a possibilidade de aumento da taxa Selic e o furo no teto de gastos, por exemplo – com as perspectivas da economia global e local. Mas saber algumas possibilidades ajuda a enfrentar esse receio de investir em bolsa.

É normal a pulga atrás da orelha, é claro. No entanto, é crucial uma disciplina por parte do investidor para não se deixar levar por alguma atividade que esteja em alta no momento e investir tudo o que tem em um negócio específico, não se assustar com perdas em um curto período e jogar a expectativa para frente. Tem que ser a longo prazo, orientam especialistas no assunto.

Apesar disso, não há uma fórmula e nem um setor que esteja mais em voga, necessariamente, do que outro. É o que diz Vitor Duarte, especialista da Suno Asset, que participou, na manhã desta quarta-feira (27), de uma live da Inter Week – semana de investimentos do Inter. Confira o vídeo completo no fim da matéria. É preciso, de acordo com ele, ter um jogo de cintura para identificar o melhor negócio.

“[No nosso caso,] a gente olha muito a empresa. Porque no mesmo setor tem empresa que vai quebrar no mesmo tempo em que outra vai dobrar. Então, preferimos as que estejam mais bem precificadas em um setor que não esteja indo tão bem, do que uma empresa ruim em um setor bom”, pondera. Segundo ele, uma empresa com valor baixo pode ser descoberta em meio a um ótimo setor e não trazer lucro.

Reprodução
Evento ocorreu na manhã desta quarta-feira (27)

Impacto da pandemia: e-commerce está em alta

Empresas que se transformaram na pandemia e investiram em tecnologia são uma boa aposta. Na opinião de João Braga, um dos sócios fundadores da Encore Encore Asset Management, esse nicho está alancado. “Gosto de coisas transformadas pelo episódio da Covid-19. O Mercado Livre é um exemplo disso”, diz. O e-commerce registrou uma alta de 68% na pandemia, mostra um dado da ABComm.

Quem concorda com a atenção às empresas que preencheram esse buraco é o economista André Ribeiro, um dos sócios fundadores da Brasil Capital. “Quando tem um momento de recessão, você deve procurar crescimento onde não há”, diz André. “O Mercado de Livre se destaca bastante. Só para ter uma ideia, há um mercado de R$ 700 bi de entregas que poderiam ser feitas em um único dia. A partir do momento em que Mercado Livre faz, tem esse potencial de crescimento”, comenta.

Enfim. Quais são as apostas dos especialistas?

Seguindo o lema da diversificação de carteira, o sócio da Brasil Capital diz que investe em algumas empresas. Entre elas, a Cosan, empresa brasileira com negócios nas áreas de açúcar, álcool, energia, lubrificantes e logística; a Rumo Logística, vinculada ao grupo da Cosan e a Raízen, empresa integrada de energia brasileira com presença nos setores de produção de açúcar e etanol. Integram o portfólio do economista exportadoras como Suzano, Vale e Gerdau. “O importante é diversificar e não ter um time só de atacantes, com 11 Romários. Precisa de goleiro, defesa, meio de campo e ataque”, sugere.

João Braga, da Encore Encore Asset Management, contou no evento que também investe em bancos, muito por conta do valuation (avaliação de empresas), que segundo ele está “escandaloso”. “Gosto também de varejos específicos, como o Pet’z, que tem um crescimento secular absurdo e é de um setor que cresce demais com um modelo em que não tem competição. Além disso, outra que eu gosto é a Vivara, grande ganhador da pandemia, que tem ido, inclusive, para uma linha mais básica”, comenta.

Vitor, da Suno, sugere, além do e-commerce, no qual investe na Alibaba, grupo de empresas de propriedade privada, com sede na China, e de bancos, como o Banco do Brasil, o setor do agronegócio. “Enquanto o Brasil e o mundo vão mal, a inflação está alta, o agro vai muito bem, obrigado”, diz.

“O importante é que você não direcione para um dos nomes”, reforça o head de Produtos da Inter Invest, Lucas Fonseca. “É uma questão de momento, de ‘time’. Isso tudo faz parte de uma análise maior, pois há toda uma complexidade nas quais os gestores estão acostumados”, complementa.

Confira a live na íntegra

Lucas Eduardo Soares

Repórter


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