Tesouro Direto: entenda o que muda entre os tipos de títulos públicos

Letícia Almeida

Publicado 17/fev4 min de leitura

Resumo

Embora sejam aplicações de renda fixa, Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado têm variações que vão da rentabilidade ao objetivo que atendem

O Tesouro Direto é um dos investimentos que mais cresce no Brasil: ele fechou o ano passado com um aumento de 77,2% no número de investidores em relação a 2020 e já soma mais de 16 milhões de pessoas cadastradas, de acordo com dados do Tesouro Nacional. Os títulos públicos são uma das alternativas para quem busca segurança e baixo risco e também é recomendado por especialistas para aqueles que estão começando a aplicar dinheiro por agora.

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, órgão responsável por gerir a dívida pública do Brasil, e permite que pessoas físicas comprem títulos públicos do país, de forma 100% online. Ao adquirir os papéis, é como se o investidor estivesse emprestando dinheiro para o governo, com a garantia de receber de volta o valor no prazo combinado e com determinada remuneração.

Divididos entre Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado, os papéis do Tesouro são investimentos de renda fixa, ou seja, o investidor já sabe a taxa de rendimento do valor desde o momento da compra do ativo. Eles também são o mais seguro do mercado, já que estão garantidos pelo próprio governo federal, como lembra a economista e assessora de investimentos da Atrio Investimentos, Gabriele Couto. Isso significa que para o Tesouro falir, todo o sistema financeiro, incluindo bancos e empresas, já vão ter "quebrado" antes.

"O Tesouro é uma excelente oportunidade para quem está começando a investir. É bem interessante pela liquidez, no caso do Selic, pela segurança e pela facilidade de investir", afirma a economista. Antes de apostar nesse produto financeiro, no entanto, é preciso entender o que muda entre essas opções de Tesouro disponíveis e qual é o mais indicado para cada caso. 

Tesouro Prefixado 

Os títulos prefixados são aqueles que têm taxa de juros fixa, e o investidor sabe exatamente o quanto vai resgatar no vencimento da aplicação. Ao adquirir um título prefixado com taxa de 10% ano, por exemplo, o cliente sabe que, ao final do prazo, terá 10% de rentabilidade em cima do valor que aplicou.

Essa previsibilidade, no entanto, só funciona se o papel for mantido até a data de vencimento. Caso decida resgatar antes, o valor a ser sacado pode ser maior ou menor do que aquele que foi aplicado. Isso acontece porque o Tesouro Prefixado vai variar conforme as expectativas de juros do país, oscilando com muita frequência. É justamente pela alta volatilidade que o analista de Portfólio e Advisory do Inter Pedro Albuquerque aconselha evitar esse tipo de ativo. 

Tesouro Selic 

Como o nome sugere, o Tesouro Selic é um ativo pós-fixado atrelado à Selic, taxa básica de juros do país. A rentabilidade desse título varia de acordo com a taxa: se a Selic aumenta, a rentabilidade cresce; já se a taxa base diminui, a rentabilidade também cai.

"A rentabilidade dele é previsível, mas não é definida no momento do investimento. Como ele acompanha a Selic, se a taxa está a 2%, o Tesouro Selic vai pagar 2%. Isso é a rentabilidade bruta, lembrando que o tesouro direto não é isento de Imposto de Renda", esclarece a assessora de investimentos Gabriele Couto. Hoje, esse papel rende 10,75% ao ano, atual valor da Selic.

Ele também oferece liquidez diária, o que significa que o dinheiro cairá na conta no mesmo dia em que for resgatado, e aplicação inicial pode ser a partir de R$ 30. Justamente por esses benefícios que ele é o mais indicado para quem vai investir pela primeira vez, destaca Pedro Albuquerque. 

"No Selic você navega um pouco mais suave pelo mercado financeiro [as oscilações de valores não ocorrem de forma tão drástica], além do fato de ele ser mais fácil de sacar e você conseguir investir com R$ 30", explica o analista. Por isso, ele também é o mais indicado para a reserva de emergência. 

Tesouro IPCA+ 

A economista Gabriele Couto define o Tesouro IPCA+ como um título de renda fixa híbrida. Por estar atrelado ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – que nada mais é do que a inflação –, ele vai render um valor equivalente à inflação do período em que ficar aplicado mais uma rentabilidade prefixada.

Assim como o Tesouro Selic, o valor a ser pago depende da inflação: se estiver alta, o investidor terá bons resultados, mas, se for baixa, o retorno será menor. No entanto, por sempre render acima da inflação, ele é que mais protege dos efeitos das altas de preços ao longo do tempo. "É o único que tem o que chamamos de rentabilidade real", ressalta Gabriele.

Como ele garante que quem investiu não vai ter o dinheiro desvalorizado ao longo do tempo, é a melhor alternativa para aplicações a longo prazo, segundo as recomendações dos especialistas. 

Alta da Selic: qual melhor Tesouro? 

Com a Selic no maior patamar desde 2017, como ficam os investimentos no Tesouro? Para os especialistas, a conjuntura é mais favorável ao Tesouro Selic, justamente por estar relacionado à taxa. "Se antes o investidor tinha a reserva de emergência aplicada no Tesouro Selic pagando 5%, agora ela tem rendimento de 10,75% ao ano, com expectativa de chegar a mais de 12% [projeção do mercado financeiro para o valor da Selic no fim de 2022]. Então, esse Tesouro passa a ser mais interessante nesse cenário", analisa a assessora de investimentos. "Lembrando que isso e uma rentabilidade nominal, então não desconta a inflação", complementa Gabriele.

Para aqueles que podem deixar o dinheiro parado por mais tempo, o IPCA também é interessante. "Garante que você vai ganhar da inflação com um investimento muito seguro", observa Pedro Albuquerque.

Como começar a investir? 

A compra de títulos públicos pode ser feita pelas plataformas de bancos e corretoras e também pelo próprio site do Tesouro Direto. Outra opção é adquirir por meio de fundos de investimentos, que vão reunir o recurso de vários investidores para aplicar o montante de uma vez só, com o diferencial de ter uma gestão profissional por trás da operação.


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