Regulamentação das criptomoedas é principal desafio do mercado; Investidores estão otimistas

Denner Perazzo

Publicado 26/out4 min de leitura

Resumo

Tema foi debatido nesta terça-feira (26) na Inter Week, semana de lives sobre investimento, promovida pelo Inter

Foto: Envato Elements/Divulgação
Regulamentação tem sido alvo de discussão em muitos países (Foto: Envato Elements)

Hoje, as criptomoedas, assim como Pix, já promovem transações em segundos, 24 horas por dia, todos os dias da semana - e, no caso das criptomoedas, sem fronteiras entre países. O mercado de criptomoedas como um todo tem se popularizado rápido e se tornou um grande destaque dos debates do sistema financeiro, estando no centro de quase todas as discussões atuais.

De modo geral, as criptomoedas são uma espécie de dinheiro digital, que podem ser utilizadas em transações de compra e venda, exatamente como o físico. A diferença é que elas existem exclusivamente no ambiente virtual e podem ser facilmente movimentadas ao redor do mundo. Dados do World Payments Report revelaram que criptomoedas podem representar 45% das formas de pagamento nos próximos anos, se destacando ante outros tipos de pagamentos emergentes, como a biometria.

As pessoas querem entrar no mercado de criptomoedas, mas têm uma dificuldade de entender o que é, como fazer as operações etc. André Franco, analista de cripto da Empiricus, explicou nesta segunda feira (26), no segundo dia de lives da Inter Week, que quem quer começar a investir em criptomoedas tem que estar ciente dos riscos e saber até onde quer ir.

“O investidor precisa entender qual tipo de risco quer correr. Ao longo prazo, as teses acabam se pagando melhor do que a curto prazo, com possibilidade de queda. Se você tiver isso em mente, você vai até ao limite. Dito isso, cabe ao investidor saber qual caminho quer seguir. Mas, no geral, é isso. Não deixe de estar expostos para não se arrepender depois”, explica André.

Cenário atual

Na quarta-feira (20/10), o Bitcoin chegou ao seu topo histórico, rompendo a barreira dos US$ 64 mil. Isso aconteceu no mesmo dia que o primeiro fundo ETF foi negociado em bolsa dos Estados Unidos em futuros da criptomoeda.

El Salvador foi o primeiro país do mundo a adotar o Bitcoin como moeda legal, sendo pioneira na regulamentação. Da mesma forma, já há empresas que utilizam a criptomoedas como pagamento de serviços, produtos e colaboradores.

São bons sinais para o longo caminho que a aceitação e regulamentação das criptomoedas e criptoativos no geral tem a percorrer. Ainda há bastante coisa para evoluir e entender, porém movimentos nesse sentido estão sendo feitos, vide os dados e exemplos citados anteriormente.

“Em cripto pode ter uma volatilidade altíssima e, mesmo assim, continuar sendo um bom investimento. Temos expectativa que a institucionalização desse tipo de ativo ocorra no futuro, mas ainda tem muita coisa para acontecer”, opina André Franco.

Regulamentação

Mas como tecnologias relativamente novas se adequam em regulamentações (do mercado financeiro) que estão no arcabouço regulatório que, eventualmente, não têm os encaixes perfeitos para as criptomoedas, por exemplo? É isso que indaga Fabrício Tota, diretor da Mercado Bitcoin, em live da Inter Week, para tratar dos cenários e tendências do mercado de criptomoedas.

“Isso é um processo evolutivo que, ao longo do tempo, os reguladores, em um diálogo aberto com players do mercado, com quem está inovando, com quem está no limite da inovação, pode ajudar a construir essa regulação que vai levar o mercado financeiro e de capitais para outro nível, fazendo uma verdadeira revolução”, explica Fabrício.

Foto: Inter/Divulgação
Especialistas em cripto participaram do segundo dia da Inter Week (Foto: Inter/Reprodução)

No Brasil, há um Projeto de Lei de 2015, que visa regulamentar as transações financeiras com criptomoedas, como as bitcoins, e demais valores virtuais ou não físicos. Entre vários debates e alterações do texto, o projeto tende a avançar.

Para Samir Kerbage, sócio e diretor de engenharia de software da Hashdex, um dos especialistas a participarem da série de transmissões organizadas pelo Inter, a Inter Week, a regulamentação é vista de forma otimista pelo mercado de criptomoedas.

“O Bitcoin foi o primeiro passo, até mesmo para os investidores conhecerem e ganharem confiança. Isso é muito positivo, porque passa aceitar de fato. Ao redor do mundo, a tendência não é de proibir, mas de regular. Então estamos superpositivos em relação a regulamentação da criptomoeda no mundo”, afirma Samir.

Futuro do mercado de cripto

Considerados por muitos como a base da economia do futuro, os criptoativos funcionam por meio de protocolos que envolvem criptografia, algoritmos de consenso e invariavelmente o registro das operações em blockchain, a tecnologia que permite o registro e o armazenamento seguro e inviolável de transações divididas em blocos interligados e criptografados.

Os criptoativos, que nem sempre têm como objetivo ser uma moeda, inauguraram uma nova era nos processos de transformações digitais na sociedade. Transformações que acontecem desde sempre, desde a década de 60, passando pelo PC’s na década de 80, internet na década de 90, com a criação da da nuvem nos anos 2000, e assim será com a Web 3.0, a qual esses criptos fazem parte.

“Tem muita coisa para surgir, tem muita coisa acontecendo. Vários experimentos desses ainda estão recentes para serem adotados e muitos vão ficar ao longo do caminho. Mas a tese de investimento no criptoativo, nesse seguimento como um todo, faz muito sentido. Você acompanhar essa jornada, assim como a internet na década de 90, os criptoativos vão se desenvolver bastante nos próximos 10, 20 anos”, afirma Samir Kerbage.

Confira a live completa da Inter Week sobre os cenários e tendências do mercado de criptomoedas

Denner Perazzo

Repórter


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