Onde investir com a nova alta da Selic? Veja orientações de especialistas

Letícia Almeida

Publicado 15/jun3 min de leitura

Resumo

Renda fixa continua como a "menina dos olhos" dos investidores; para os mais arrojados, oportunidades na bolsa também podem trazer ganhos a longo prazo

Nesta quarta-feira (16), o Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou a Selic pela décima primeira vez consecutiva. Como já era esperado pelo mercado financeiro, a taxa saltou de 12,75% para 13,25%, com incremento de 0,50 ponto percentual. No campo dos investimentos, a nova elevação leva os especialistas a reforçarem o que já vinha sendo recomendado até aqui: a hora é de aproveitar os ganhos que a renda fixa pós-fixada oferece.

É o que avalia o assessor de investimentos da Lotus Capital Pedro Farah. "Selic muito alta faz com que tenhamos um rendimento pós-fixado ainda mais atraente. Hoje, já conseguimos uma rentabilidade acima de 1% ao mês sem assumir riscos. Precisamos ficar atentos e aproveitar as oportunidades que tem surgido", comenta.

Os investimentos pós-fixados são atrelados à Selic ou ao CDI – taxa de valor muito próximo ao do juro base –, e quanto mais alto é o juro, maior é o retorno dessas aplicações. Para se ter uma ideia, o investidor que aplicar no Tesouro Selic, por exemplo, uma das aplicações mais conservadoras do mercado, passa a ganhar 1,1% ao mês a partir de agora.

Outros exemplos de produtos pós-fixados que seguem a mesma regra são os CDBs (Certificado de Depósito Bancário), as LCs (Letras de Crédito) e os fundos de investimento em renda fixa. Esses ativos, além de garantirem um retorno interessante, também protegem o investidor do risco de ter oscilações patrimoniais, o que os tornam aplicações ideais para quem pretende aproveitar o momento para sair da poupança. 

Novas oportunidades

Para aqueles investidores que já vêm apostando nas principais aplicações de renda fixa e querem diversificar a carteira, há outros caminhos que podem ser explorados diante dessa nova elevação. Um deles é investir na bolsa de valores, mirando ganhos com as ações de empresas que atualmente estão custando menos que realmente valem.

"Caso o investidor já esteja bem alocado e queira algumas oportunidades extras, se ele busca investimentos de risco, a bolsa de valores pode apresentar grandes oportunidades de investimento por terem grandes empresas em valores bem baratos em comparação ao seu valor real", ressalta o assessor de investimentos da Lotus Capital.

Na mesma linha, o assessor de investimentos Flávio Alvez, da WIT, reforça as oportunidades que a renda variável podem oferecer. Alves explica que o índice Ibovespa, que agrega os ativos, tem se mostrado atrativo com as empresas que estão relativamente baratas em termos de valuation. Isso torna o cenário sugestivo para uma alocação a longo prazo.

"A bolsa de valores brasileira apresenta boas alternativas de empresas com expectativa de valorização do mercado. São companhias com balanços sólidos, perspectiva de crescimento e negociadas a preços abaixo do valor esperado. Porém, como se trata de um investimento de risco, de renda variável, é bom que esse horizonte seja mais de longo prazo", analisa. 

De olho no fim do ciclo de alta 

A partir do fim do período de elevações seguidas dos juros, a especialista em renda fixa da Blue3 Letícia Consenza aponta que os investidores devem ficar de olho nos títulos prefixados e indexados ao IPCA de prazos curtos, que podem trazer retornos interessantes. Isso porque, de acordo com ela, essa situação estimularia uma possível inclinação na curva de juros, com taxas de curto prazo sedo reduzidas para se adequarem à manutenção da Selic.

Já o head de gestão de investimentos na Warren Asset, Igor Cavaca, sinaliza que os papéis CDI+ spread de crédito também são outra alternativa nessa conjuntura para aqueles que querem diversificação. "Em uma reversão da política monetária, esses ativos podem ganhar com a queda dos juros", afirma.

Antes de escolher em qual produto aplicar, Pedro Farah, da Lotus, lembra que é preciso estabelecer as metas para o investimento e sempre respeitar o seu perfil de investidor.

"Os investimentos devem ser olhados sempre com objetivos específicos de risco. Logo, não é um aumento na taxa de juros de 0,5% que irá alterar drasticamente uma estratégia de investimento. O importante para o investidor é entender quais são os seus objetivos, o seu perfil de risco, necessidades de capital e alocar os seus recursos de acordo com isso", finaliza o assessor.

Letícia Almeida

Repórter


Compartilhe essa notícia


Esse conteúdo foi útil?

Siga o Inset

Conheça o Inter

De banco digital para plataforma de serviços integrados: o Inter se reinventou e cria o que simplifica a vida das pessoas.