No vermelho: 70% dos moradores de São Paulo e Rio de Janeiro estão endividados, diz pesquisa

Redação Inset

Publicado 24/mar6 min de leitura

Resumo

Levantamento feito pelo Instituto Proteste nas duas capitais mostrou que o cartão de crédito, cheque especial e o desemprego são os principais vilões do endividamento; contas de telefone, luz e internet são as que mais deixam de ser pagas

O Brasil tem batido recordes de população endividada. Em dezembro de 2021, o país teve o maior índice de famílias com contas atrasadas dos últimos 11 anos, 76,3%. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), a região Sudeste teve a segunda maior alta de endividados (+5,5 pontos percentuais) e um novo levantamento, divulgado nesta semana pelo Instituto Proteste, revela mais detalhes sobre o aperto financeiro dos moradores de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Segundo o estudo, 70% dos habitantes das duas capitais se consideram endividados, sendo que 23% deles acham que estão com "muitos débitos". A capital fluminense tem maior porcentagem de pessoas com dívidas (79%), do que a capital paulista (64%), que tem a maior parcela de entrevistados que se consideram sem débitos à pagar (35%). Um dado preocupante do levantamento é que os entrevistados com menor renda familiar estão mais "enrolados" nas contas do que aqueles com maiores rendimentos.

Percentual de pessoas sem dívidas cresceu, mas população muito endividada cresceu cinco pontos percentuais (Foto: Divulgação/Instituto Proteste)

Vilões do endividamento 

Com pouca ou nenhuma surpresa, 72% dos entrevistados elegeram o cartão de crédito como o principal responsável pelo endividamento. Em segundo lugar aparece o desemprego (44%) e, fechando o Top 3, o cheque especial (42%). Outros motivos muito citados pelos participantes foram empréstimo (36%), pandemia (33%) e crise econômica (18%). 

Para os entrevistados de todas as faixas etárias, com renda familiar partindo de um até dez salários mínimos por mês, o cartão de crédito é, sem dúvidas, o pior problema, sendo citado por mais de 73% deles. O principal responsável pelas dívidas no cartão de crédito são os gastos com supermercado e alimentação (65%), Henrique Lian, diretor da Proteste, ressalta que a prática não é a ideal. 

"O parcelamento de compras no supermercado não é uma ação recomendada, uma vez que alimentação é um item básico e consumido mensalmente. No entanto, esse dado evidência o drástico cenário econômico no último ano e a dificuldade que o consumidor brasileiro teve para suprir necessidades básicas” 

Eletrodomésticos (52%) e eletrônicos (49%) são os outros principais responsáveis pelo uso do cartão. A média de consumo das famílias caiu entre 2021 e 2022, passando de 3,58 para 2,31 (em uma escala de 1 a 5). 65% dos entrevistados afirmaram estar consumindo menos do que no ano passado.  

Contas atrasadas e temores 

A dívida que mais foi deixada de lado pelos entrevistados (32%) foi o boleto do telefone. O curioso é que o número de paulistas que não quitaram esse tipo de débito (42%) é bem maior que o de cariocas que não pagaram a conta do telefone. Na sequência aparecem energia elétrica (30%), internet (29%), água e IPTU (ambas com 23%) e empréstimo (22%). A dívida que menos foi deixada de lado pelos entrevistados foi o plano de saúde, com apenas 2% de atraso.  

A pesquisa também avaliou quais são os riscos que os consumidores mais temem ao deixar de pagar uma conta. Ficar com o nome "sujo", ou seja, ser listado pelos serviços de proteção ao crédito, é temido por 84% da população, enquanto a suspensão do serviço aparece em segundo lugar, com 61% das respostas.  

Ser listado nos serviços de proteção de crédito é o maior temor dos entrevistados (Foto: Divulgação/Instituto Proteste)

Renegociação 

Quase 50% dos ouvidos afirmaram que nunca precisaram renegociar dívidas, enquanto 20% tentaram, mas não conseguiram resolver suas pendências. Entre aqueles que conseguiram renegociar seus débitos, 44% acreditam que saíram com vantagens em relação ao acordo anterior. Neste mês de março, inclusive, várias instituições estão promovendo feirões para o devedor "limpar o nome", como o Serasa, a Febraban e o Inter. Para saber como sair do aperto e "fazer as pazes" com os serviços de crédito, clique aqui.   


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