Mãe de criança que pediu comida à PM comemora doações, mas quer voltar a trabalhar

Célio Ribeiro, repórter do Inset

Célio Ribeiro

Publicado 04/ago3 min de leitura

Resumo

Célia Arquimino, de Santa Luzia (MG), não consegue emprego, pois precisa fazer cursos de reciclagem de Bombeiro Civil e Segurança; ligação de menino pedindo comida aos policiais comoveu o país

A fome atinge mais de 33 milhões de brasileiros, segundo dados da Vox Populi, e, nessa multidão, alguns casos se destacam. Na noite desta terça-feira (2), um menino de 11 anos de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), ligou para o 190. Não para fazer uma denúncia, mas para pedir ajuda. Miguel Barros disse aos policiais que não tinha nada para comer em casa, apenas farinha e fubá.

O caso ganhou repercussão nacional rapidamente, e a ajuda também não demorou a chegar. Em entrevista ao Inset, a bombeira civil Célia Arquimino, de 46 anos, contou que os policiais militares do batalhão mais próximo visitaram a casa da família para conferir se a história era verdadeira ou se a criança estava, na verdade, sendo vítima de maus tratos.

"Os policiais vieram aqui e viram que a situação era real, que a gente está passando necessidade. Pouco depois, as primeiras doações chegaram. Foram os policiais mesmos que trouxeram cestas básicas, muitas cestas. Também fizeram sacolão e trouxeram até fralda para o bebê."

Desejo de trabalhar

Miguel, que ligou para os policiais para pedir ajuda, é um dos seis filhos que moram com Célia no bairro São Cosme. Bombeira civil e segurança particular, a mineira está desempregada há cinco anos e, neste período, tem sobrevivido de bicos de faxina e outros serviços menores. O benefício do Auxílio Brasil ajuda, mas não é suficiente, assim como os R$ 250 pagos quase todos os meses pelo ex-companheiro.

Feliz pela repercussão do caso e pelas dezenas de doações recebidas, Célia conta que já recebeu mais propostas de pequenos trabalhos, mas sonha mesmo em voltar a ter um emprego formal. A falta de cursos de reciclagem impede Célia de se candidatar a melhores oportunidades.

"Depois da ligação do Miguel, apareceu serviço. Nesse fim de semana, por exemplo, vou fazer faxina em um evento em Belo Horizonte. Mas o que eu quero mesmo é um emprego. Preciso fazer os cursos de reciclagem de bombeira e segurança, mas cada um deles custa R$ 400. Para mim, é muito caro. Mas eu, Miguel e todo mundo aqui estamos muito felizes com a ajuda recebida."

Célia Arquimino e os filhos
Célia conta que Miguel, responsável pela ligação, está "se sentindo famoso" após a repercussão do caso (Foto: Divulgação/PMMG)

Dados do 2º Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgados em junho pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), revelaram que mais de 33 milhões de brasileiros estão sujeitos à insegurança alimentar grave, condição em que há escassez de alimentos para todos os membros da família, chegando até mesmo à fome. O número é 73% maior do que o registrado pelo mesmo estudo em 2020 e 221% maior do que o número computado em 2018.

Em julho, um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura revelou que 60 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de insegurança alimentar. O número corresponde a um a cada três habitantes do país, próximo da média mundial de pessoas com algum tipo de insegurança alimentar.

Célio Ribeiro, repórter do Inset

Célio Ribeiro

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