Investidor da B3 está cada vez mais novo

Lucas Eduardo Soares

Publicado 08/fev5 min de leitura

Resumo

Dados levantados pela B3, bolsa de valores brasileira, mostram que a idade média do cliente pessoa física no mercado acionário diminuiu quase 11 anos desde 2016

O investidor da B3 está cada vez mais novo. Pelo menos é o que mostra um levantamento feito pela B3, a pedido do Estadão, divulgado no último domingo (6). Segundo os dados da bolsa brasileira, a idade média do cliente pessoa física no mercado acionário recuou quase 11 anos desde 2016. Naquele ano, o investidor tinha, em média, 48,7 anos. No fim de 2021, no entanto, a média ficou em 37,9 anos. Para se ter ideia, dos 5 milhões de brasileiros que têm contas na B3, 62% têm menos de 40 anos.

Especialistas acreditam que esse rejuvenescimento pode estar relacionado com a entrada de jovens que acabaram de começar a vida profissional e que podem estar preocupados com o futuro. Os números mostram, ainda, que 600 mil brasileiros com idade até 24 anos já investem em ações, ou 12% do total. Além disso, esse foi o grupo que mais cresceu. Há cinco anos, esse grupo era responsável por somente 1% do total de investidores.

O que pode explicar esse investidor mais jovem?

“Um dos pontos que podemos avaliar com esse recuo da idade é que o mercado financeiro está se tornando cada vez mais acessível”, diz Sabrina Lima, doutora em Finanças e fundadora da Escola Mercado Financeiro Capacitação. Se no passado eram necessários volumes maiores, uma quantidade maior de recursos, hoje há várias plataformas que permitem que os investidores tenham acesso ao mercado sem qualquer tipo de custo, acrescenta a especialista. O Inset, inclusive, já te mostrou o passo a passo para investir em ações.

Outro fator indicado por Sabrina é o da incerteza do futuro. De acordo com ela, isso faz com que as pessoas pensem, cada vez mais de maneira precoce, no longo prazo. E não tem nada de errado nisso, garante. “É importante pensar no patrimônio, multiplicar, para conseguir uma aposentadoria mais tranquila e não pensar nisso só quanto estiver mais na frente.”

O economista do UniAcademia de Juiz de Fora (MG), Guilherme Ventura, concorda que parte do interesse de jovens no mercado de ações tem ligação com as novas plataformas de investimentos em tecnologias por celular pela diminuição dos valores, por exemplo. Porém, um indicador econômico pode ter protagonismo nessa leva. “O investimento em bolsa está associado ao maior interesse em renda variável à medida em que as taxas de juros diminuíram no país após 2016. Nesse período houve grande acréscimo de número de pessoas físicas com contas em corretoras”, acredita.

Para o analista econômico e CEO da Vallus Capital, Caio Mastrodomenico, a juventude não tem, nos tempos atuais, tanta obrigatoriedade moral de se formar – e muito dos que se formaram, não trabalham exatamente na sua área. Conforme Caio, o investimento em bolsa, hoje, dá possibilidades de o investidor sair do perfil celetista, podendo trabalhar de casa e investir o tempo no trade, por exemplo. “Além disso, há o desejo da estabilidade financeira no futuro”, concorda o analista. “A convergência desses pontos resulta nesse rejuvenescimento.”


Citação
Mas é preciso ter cuidado, tendo em vista que o brasil tem uma instabilidade política muito grande que reflete na instabilidade econômica. Então, a dica para quem está começando é optar pela diversificação do portfólio, nunca colocar todo o capital em um papel só. Tenha o maior número de informações possível.
Caio Mastrodomenico, analista econômico e CEO da Vallus Capital

Perfil de investidor: por que é importante saber?

A doutora em Finanças Sabrina Lima diz que entender o seu perfil de investidor é muito importante não só para o investimento em ações, renda variável, como também para outros modelos de se investir. “Isso quer dizer o nível de risco que você tolera em busca da rentabilidade. Pode acontecer de muitas vezes as pessoas olharem só pela rentabilidade, entrar em aplicações mais voláteis e arrojadas e ficar desconfortável quando as perdas porventura ocorrerem”, reforça.

“Isso pode, de certa forma, fazer com que ele entenda que o mercado financeiro não é para ele. Quando na verdade está apenas desenquadrado”, explica a especialista. Veja, abaixo, alguns tipos de investidores e em quais deles você se encaixa.

Conservador

Conhece pouco o mercado financeiro, preza pela segurança do patrimônio e prefere se expor menos aos riscos. No seu caso, os investimentos em renda fixa podem ser uma boa pedida. O próprio nome explica: renda fixa, ou seja, quando você investe ali já sabe quanto vai ganhar e qual é o prazo da aplicação, o que dá mais segurança ao investidor. Alguns exemplos são CDB e Tesouro Direto.

Moderado

Se tem uma reserva de emergência e acha que já pode correr mais alguns riscos buscando mais rentabilidade, você já deve se entender como um investidor moderado. Além da renda fixa, você pode investir em papéis com diferentes prazos de resgate e também optar pelos fundos.

Arrojado

Possui patrimônio, é tolerante ao risco, sabe que as perdas podem acontecer e, mesmo assim, gosta de retornos agressivos. Investimentos em renda variável, como as ações, são os mais recomendados para quem se encaixa nessa descrição. Para os que desejam seguir com esse tipo de investimento, economista do UniAcademia, Guilherme Ventura faz um alerta:


Citação
Os novos investidores precisam estabelecer os objetivos financeiros que querem alcançar, se interessar por educação financeira, ter disciplina financeira e fazer uma diversificação de aplicações que permita alcançar estes objetivos. Se acredita no futuro do Brasil, então uma parte dos seus investimentos deverá estar em ações das boas empresas com capital aberto na bolsa brasileira
Guilherme Ventura, economista do UniAcademia de Juiz de Fora

Quer saber como investir? O Inset preparou um vídeo com informações básicas para quem quer iniciar no mundo de investimentos e não sabe por onde começar. Assista abaixo.

Lucas Eduardo Soares

Repórter


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