Dia das Crianças: brinquedo ou dinheiro na conta?

Alexandre Diniz

Publicado 08/out7 min de leitura

Resumo

O tipo de presente para a data comemorativa vem mudando. A relação dos pequenos com os investimentos e educação financeira também

O compositor de MPB Toquinho cantava: “É bom ser criança, e não ter que se preocupar, com a conta no banco, nem com filhos pra criar”. Não se preocupar com a conta no banco, será?

Foi-se o tempo em que criança só pensava em brincar. O dia 12 de outubro, Dia das Crianças, se aproxima, e é possível afirmar que os pequenos e pequenas dessa geração têm cada vez mais intimidade com elementos de educação financeira e investimentos.

De acordo com dados da B3, apurados no início de outubro deste ano, mais de 21 mil jovens de até 15 anos estão cadastrados e investem na bolsa. Há uma década, o número não passava de 2 mil menores investidores. Números que impressionam e mostram uma tendência: cada vez mais as crianças e adolescentes estão inseridas nesse mundo.

Mais interesse por investir

Para a assistente de marketing de produto do Inter, Virgínia Nogueira, as crianças e jovens estão se interessando cada vez mais por investimentos e educação financeira, principalmente por conta do aumento do acesso à informação e do grande número de influenciadores no mercado financeiro.

“Muitos jovens começam assistindo algum vídeo no YouTube ou vendo algum post no Instagram sobre o assunto, e começam a se interessar cada vez mais por investimentos.  Mesmo numa fase inicial de aprendizado, já buscam logo partir para a prática enquanto se aprofundam nos assuntos”, afirma Virgínia.

A especialista em saúde financeira e branding da Ahfin (empresa de planejamento financeiro), Charys Oliveira, compartilha da mesma análise. No entanto, alerta para os cuidados inerentes à idade: “Crianças e jovens consomem tanto conteúdo digital que hoje é difícil eles serem completamente ignorantes sobre algo. Quando o assunto é dinheiro, essa é a fase da vida deles na qual eles já sabem o valor do poder de compra. Mas é preciso tomar cuidado, pois ainda não compreendem as ciladas nas promessas de enriquecimento que se vê por aí no mundo digital”, explica.

Por que dinheiro e não os brinquedos?

Já ouviu falar daquela frase: uma ação vale mais que mil palavras? Segundo Charys, a explicação tem a ver com isso. Como as crianças tendem a repetir padrões, elas acabam querendo ter o poder de escolha que o dinheiro dá aos adultos. 

“Soma-se a isso os casos de pais e parentes que não acompanham o amadurecimento e seguem presenteando com itens que os jovens já não enxergam mais valor. Eles querem consumir o que a internet consome e sabem onde comprar online qualquer item de desejo”, diz Charys Oliveira.

A head de saúde financeira acredita que os pais mais atentos a isso usam o maior interesse recente dessa geração pelo assunto para educar sobre a escassez e poder de escolhas. “Quando oferecemos uma mesada ou um valor como presente e permitimos o livre arbítrio dos jovens, podemos ajudá-los a entender sobre preço, sobre poupar, sobre escolhas. Em geral, as primeiras vezes são muito frustrantes para as crianças. Mas, com o diálogo aberto, é um bom caminho para melhorar a relação com o dinheiro no futuro”, ressalta.

Ensinamentos muito além do bolso

Segundo a psiquiatra infantil Jaqueline Bifano, falar sobe dinheiro não deve ser tabu. Ela afirma que as boas práticas começam com os pequenos detalhes do dia a dia, como dar para criança um troco de padaria e incentivá-la a poupar. Quantias e atitudes que parecem bobas, mas que podem gerar um enorme ganho educacional e de caráter lá na frente.

“Algumas habilidades incentivam autonomia e responsabilidade. E a relação próxima e saudável com o dinheiro pode dar para a criança essas habilidades. Educação financeira deve ser inserida na rotina da família desde cedo. Os pais podem, por exemplo, dar um cofrinho, que pode ter a finalidade de reforçar a importância de se poupar para conquistar algum objetivo. Uma outra alternativa é orientar a criança ou jovem a poupar para ajudar o próximo. Isso desenvolve um senso coletivo neles”, ressalta a psiquiatra.

A médica comenta algo interessante: existe uma linha que defende que não se deve criar o hábito de premiar boas notas ou algum outro bom comportamento com dinheiro. Por quê? O motivo é simples. Nem sempre, no futuro, quando essas crianças se tornarem adultas, essas boas práticas serão recompensadas. A especialista discorda.

“Penso que é possível dialogar com a criança e explicar que isso por vezes vai acontecer, por vezes não. Mas que, em alguns momentos a recompensa é válida e não há problema algum. Nós sabemos que no trabalho existem gratificações, promoções. Então, com equilíbrio, acredito que essa associação é possível sim”, comenta.

Envato Elements
Crianças e jovens estão se interessando cada vez mais por investimentos e educação financeira (Foto: Envato Elements)

Se relacionar bem com o dinheiro antes dos 18 vale muito a pena

Educação financeira é como encher um porquinho de moedas. Pouco a pouco, moeda atrás de moeda, ele vai ficando pesado. Lá na frente, quando menos se espera, o porquinho já está cheio. É assim: as pequenas práticas de gestão do dinheiro vão se construindo no dia a dia. O tempo passa e aquela criança já está se tornando um adulto consciente nesse assunto.

Virgínia Nogueira afirma que esse movimento é positivo, e preferir dinheiro a um brinquedo como presente pode trazes benefícios a longo prazo. Para ela, a educação financeira não se resume em apenas economizar dinheiro, mas também abrange as práticas de organizar as finanças, planejar um futuro, estabelecer bem os ganhos e gastos e utilizar o dinheiro de forma inteligente.

“Ter essa consciência e prática com a gestão financeira desde cedo é crucial para o futuro de uma pessoa, visto que, quanto mais cedo conseguimos desenvolver um pensamento crítico e capacidade analítica em relação a dinheiro, mais fácil é aquilo se tornar um hábito e que as crianças e jovens se tornem adultos mais conscientes em relação a planejamento financeiro e endividamento. Além de que a gestão financeira também impacta em aspectos como bem-estar, organização, autonomia, responsabilidade e ética”, afirma Virgínia.

Para Charys Oliveira, a importância desse tipo de educação desde novo passa muito por valorizar os esforços e as escolhas da família. A especialista explica que quando a criança compreende o esforço usado para obter o dinheiro e quanto custa a vida que ela leva, fica bem mais fácil valorizar as conquistas e fazer melhores escolhas.

“Deixar a criança participar do orçamento familiar é algo muito importante. Ela não deveria crescer acreditando que o dinheiro vem do banco, a comida da geladeira, a luz da lâmpada. Ela pode e deve compreender os valores envolvidos e ir criando cada vez mais responsabilidade de consumo”, explica Charys.

As boas opções

Confira duas alternativas interessantes de investimentos (com a supervisão dos pais ou responsáveis) para crianças ou adolescentes

- Tesouro Direto: Muito indicada para iniciantes e menores de idade. Basicamente, o governo federal negocia títulos de dívida pública, por meio do Tesouro Direto. A grande vantagem dessa modalidade está na segurança, já que quem garante o valor aplicado é o próprio Tesouro Nacional. O que isso quer dizer? O risco sobre a aplicação é mínimo. Para perder o dinheiro, seria necessário que o país praticamente “quebrasse”.

- Previdência privada: Podem ser uma boa para quem é menor de idade. Além de ser um investimento que atende a perfis e objetivos muito amplos, ele também pode servir como uma complementação da aposentadoria tradicional ou, ainda, uma oportunidade de, no futuro, reduzir as atividades profissionais antes de completar o tempo necessário exigido pelo INSS.


Citação
Deixar a criança participar do orçamento familiar é algo muito importante. Ela não deveria crescer acreditando que o dinheiro vem do banco, a comida da geladeira, a luz da lâmpada. Ela pode e deve compreender os valores envolvidos e ir criando cada vez mais responsabilidade de consumo
Charys Oliveira, especialista em saúde financeira

Contas digitais para crianças e adolescentes

Quer dar mais autonomia para os pequenos? Existem boas opções de contas no mercado exclusivamente voltadas para menores de 18 anos. Confira algumas:

- Conta Kids, do Inter: Totalmente digital e gratuita. Essa opção permite acesso à Inter Invest, a plataforma de investimentos do banco. Nela, estão disponíveis todas as modalidades de investimentos, tais como renda fixa (CDB, LCI e LCA), fundos de investimento, previdência privada, renda variável e ofertas públicas, com exceção do Tesouro Direto e Home Broker.

Com a aprovação da conta e documentos, os pais ou responsáveis recebem um cartão de débito personalizado com o nome da criança. Isso facilita para que ela não precise andar com dinheiro no bolso ou mesmo ter mais liberdade para pequenas compras. É possível bloquear o cartão, pelo aplicativo, em caso de perda, furto ou roubo.

“A conta kids é completa e 100% gratuita. Nela é possível ter uma boa diversificação de investimentos para planejar e investir no futuro. O cartão de débito no nome da criança ou adolescente dá mais autonomia para eles e incentiva lições de educação financeira na prática”, comenta a assistente de marketing de produto do banco, Virgínia Nogueira.

- Next Joy, do Banco Next: Outra opção de conta digital. Nesse caso, ela é oferecida para filhos ou dependentes do Banco Next. Portanto, para desfrutar da opção da nextjoy é necessário que um adulto responsável faça a migração ou crie uma conta para si no banco. Ela está disponível para crianças e adolescentes dos 3 aos 17 anos e oferece a possibilidade de monitoramento dos pais. Além disso, conta com conteúdo de educação financeira didático e direcionado para cada faixa de idade.

- Click Conta, do Bradesco: Exemplo de banco tradicional que criou uma alternativa digital para menores de 18 anos. Assim como os outros exemplos citados, oferece a possibilidade de monitoramento dos pais. Os serviços da Click Conta são quase todos gratuitos e possuem um cartão de débito para quem é correntista. Como atrativo, ela dá a oportunidade, dentro da plataforma, para que a criança ou o adolescente planeje com facilidade as metas financeiras estipuladas. No que diz respeito a investimentos, a conta possibilita depósitos em CDBs e poupança.


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