Criptomoedas: de onde elas vêm e para onde vão

Lucas Eduardo Soares

Publicado 29/nov7 min de leitura

Resumo

Descentralizadas e com potencial de investimento, moedas virtuais ainda são desconhecidas por uma parcela da população

Criptomoeda. O nome pode soar, a princípio, familiar. Mas a verdade é que o termo ainda não foi totalmente introduzido a vocabulários dos mais diferentes brasileiros. Para te ajudar a entender melhor o que são, o Inset traz um panorama das criptos, que hoje já alcançam vultosos valores. Do passado, quando o termo foi cunhado e ganhou repercussão com moedas mais famosas, passando pelo presente, o momento atual, com aquelas que são, agora, as mais valiosas para o mercado, vamos mostrar também as perspectivas de futuro.

De onde vieram?

O ano era 2008. Os Estados Unidos e, consequentemente, todo o mundo, passavam por uma crise econômica. Até que um artigo publicado por Satoshi Nakamoto – que ninguém sabe, ao certo, se é de fato uma pessoa física, uma persona ou um grupo e ocupa o imaginário dos entusiastas do tema – publicou um artigo, de nove páginas, dando origem à criptomoeda, que hoje é uma das mais conhecidas em todo o globo, o Bitcoin, desvinculada a autoridades que regulam moedas tradicionais. No Brasil, por exemplo, o Real é regulado pelo Banco Central.

A história da Bitcoin é retratada no livro “Bitcoin, Blockchain e muito dinheiro: Uma nova chance para o mundo”, do pesquisador Christian Aranha. “De modo geral, podemos afirmar que o Bitcoin surgiu como a primeira criptomoeda descentralizada do mundo. Sua rede conforma um sistema econômico alternativo, que atua de modo distribuído ponto-a-ponto, o que implica dizer que não há intermediação, tampouco administração central”, diz um trecho da obra.

Isso significa que qualquer pessoa pode comprar. Mas não há papel e ainda não dá para gastar na padaria do bairro, embora diversas empresas já aceitem pagamento em criptomoedas.

Quantas existem?

Nos últimos 13 anos, muitas outras criptomoedas foram criadas. Hoje são mais de 5 mil segundo o site CoinMarketCap, página que monitora e ranqueia criptoativos. Além do Bitcoin, que, inteiro, pode ser comprado por cerca de R$ 330 mil, outras têm ganhado atenção de investidores, como a Ethereum – cotada em aproximadamente R$ 25 mil nas exchanges, uma espécie de “casa de câmbio”. As cotações foram feitas nesta segunda-feira (29).

(Michelle Freitas/Inset)

As criptomoedas podem ser compradas nesses lugares, onde, inclusive, elas ficarão salvas em uma espécie de carteira. As informações sobre transações são armazenadas e podem ser acessadas em uma rede de dados que recebe outro nome gringo: blockchain (cadeia de blocos, em tradução livre para o português).

Nessa corrente, quem explora, extrai as informações e detecta potenciais investimentos é chamado de minerador. Afinal, a procura por criptos tem crescido.

É o que observa o CO-CEO da Foxbit, uma das principais exchanges do país, Ricardo Dantas. “No último semestre, praticamente tivemos o mesmo número de cadastro de clientes de 2020 inteiro. Só no primeiro trimestre [de 2021] cadastramos mais de 200 mil cientes”, diz.

Segundo ele, na exchange, apesar de depender da oferta e da demanda, as mais valiosas são Bitcoin e Ethereum. No site da Foxbit, uma estimativa chama a atenção de quem visita a página: se o leitor tivesse investido R$ 100 em bitcoins 2011, teria mais de R$ 64,3 milhões em novembro deste ano.

(Michelle Freitas/Inset)

As criptomoedas são seguras?

Sim, garante o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Botelho. Conforme o docente, que possui estudos na área, o modelo é seguro, mas falhas podem ocorrer. “O ponto fraco não é o sistema. E, sim, o ser humano”, avalia o especialista.


Citação
O mecanismo da blockchain é muito seguro. Ele garante a validação, seja da bitcoin ou de outras criptomoedas, mas sempre haverá o ser humano. Ou seja, se ele tem uma conta em uma exchange é factível que esse acesso seja descoberto. Sendo assim, o risco está associado ao nível da qualidade que o dono da cripto vai dar no comprometimento ao tentar proteger o seu recurso
Marcelo Botelho, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP

Na prática

O redator Marcelo Campos, de 25 anos, conta que entrou no mercado das criptomedas em outubro de 2017. Na época, não sabia muito como mexer. “Mas sabia que o ativo se valorizava”, conta ele, que mora no Rio de Janeiro.

Apesar de ter sido o primeiro ativo financeiro investido na vida, ele diz que precisou fazer um curso de blockchain. “Hoje, trabalhando no mercado há quatro anos, eu vejo que é necessário bastante estudo. Têm mecanismos do algoritmo monetário do Bitcoin, por exemplo, que eu só fui entender de verdade como funciona neste ano”, ressalta Marcelo.

Hoje ele trabalha na QR Capital em uma estratégia de marketing de conteúdo e, por isso, conhecer o produto foi uma forma de qualificar, também, o trabalho.

Já a escritora e assistente de conteúdo Maria Eduarda Lobato, de 20 anos, conta que começou a se interessar pelo mundo dos criptos bem recentemente, em 2020, apesar de já ter escutado falar sobre o assunto antes. E diz não se arrepender da “escolha tardia”.

O fato de servirem como boa reserva de valor e outras questões filosóficas e políticas, conforme ela, contribuíram com a sua decisão. “Eu estudei [as criptomoedas] e estudo até hoje. Procurei por canais no YouTube, sites que falam sobre elas e toda sua tecnologia, além de livros e canais de discussão”, diz.


Citação
Desde quando comprei minha primeira fração de bitcoin, obtive um lucro interessante. Mas, no meu caso, eu opto pela estratégia do ‘buy and hold’ que é, simplesmente, comprar um ativo e esperar ele valorizar. Essa é a maneira ideal de manter esse ativo
Maria Eduarda Lobato, escritora e assistente de conteúdo

Expectativas

Para o vice-presidente sênior de data center da CleanSpark, Bernardo Schulman, os principais desafios para a adoção das criptomoedas passam pela falta de conhecimento em relação ao ativo, assim como falta de regulamentação clara, específica, o que acaba deixando investidores sem garantias legais para a realização de pagamentos, recebimentos e transferências de posse em operações envolvendo as criptos.

“Acredito em uma regulação no Brasil que possa seguir os moldes da norte-americana. Os EUA taxam os ganhos com operações de cripto como ganho de capital e de uma forma muito clara. Acho que é o caminho para pavimentar a adoção dos criptoativos”, diz.

O professor Marcelo Botelho também crê que elas serão uma realidade mais próxima do dia a dia da população em poucos anos. “Acredito que será possível chegar em algum lugar e conseguir pagar não só em Real Digital, proposta do Banco Central de digitalizar o Real brasileiro, mas também com algumas criptomoedas”, atesta. “Haverá mais abertura”.

Lucas Eduardo Soares

Repórter


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