Como o preço da gasolina é formado? Entenda o cálculo

Izabella Souza

Publicado 23/jun5 min de leitura

Resumo

Saiba o que entra nessa conta e porque os preços oscilam tanto

Nos últimos dias, não se fala de outra coisa: o preço dos combustíveis, que vem sendo uma preocupação constante de toda a população brasileira e voltou a subir na última semana.

Fato que trouxe ainda mais receio ao consumidor em meio a instabilidades importantes, como o aumento da pressão política sobre a Petrobras e a renúncia do presidente da companhia, José Mauro Coelho, nesta segunda-feira (20).

Dentre tantos números, fatos, porcentagens e tamanha inquietação, compreender a estrutura do cálculo desses preços pode ajudar a tirar algumas dúvidas sobre o que vem acontecendo. Vamos lá?

Por que a gasolina sobe com tanta frequência? O que o dólar tem a ver com isso?

Desde 2016, a Petrobras segue a chamada Política de Paridade Internacional (PPI), pela qual os preços dos combustíveis processados pelas refinarias estão sujeitos às variações do mercado internacional.

Uma das principais é o preço do barril do petróleo, já que a gasolina é um dos seus derivados. O barril do petróleo é uma commodity mundial cotada em dólar, e atualmente está acima de US$ 110.

No caso do Brasil, é preciso ainda aplicar a conversão para a moeda norte-americana. Por isso, quando o real está desvalorizado, temos combustíveis mais caros. É por isso que, quando o câmbio está desvalorizado e o preço do barril muito alto, a gasolina fica muito mais cara do que deveria, e essas subidas seguidas acontecem.

Ah! E é por isso que acontecimentos externos, em outros países, também influenciam o preço dos combustíveis por aqui. Dois exemplos que vêm pesando na conta é a retomada das atividades econômicas após a fase mais rígida do isolamento social contra a disseminação do coronavírus e a guerra na Ucrânia, com as sanções impostas à Rússia.

A composição dos preços

O preço dos combustíveis é liberado na bomba – ou na revenda, no caso do gás de cozinha. No entanto, grande parte do que o consumidor desembolsa reflete o preço cobrado pela Petrobras na refinaria.

Como num efeito cascata, as alterações nos preços da Petrobras, que seguem essa questão da cotação internacional e do câmbio, se refletem nos demais componentes do preço até chegar ao preço final.

Pois é: nem só do valor internacional do petróleo é composto o cálculo do que pagamos pelos combustíveis por aqui. Impostos, adição de outros combustíveis à mistura e preços de distribuição e de revenda também somam-se ao valor cobrado.

Gasolina

No caso do preço final da gasolina, é incluso ainda impostos, as margens das distribuidoras e dos postos e uma mistura obrigatória de uma substância chamada álcool anidro, na proporção de 27,5% para a gasolina comum e aditivada e 25% para a gasolina premium.

Desde o último sábado (17), a parcela da Petrobras no preço final ao consumidor passou de R$ 2,81 para R$ 2,96 por litro.

O preço do litro da gasolina é dividido em cinco partes: Distribuição e Revenda, Custo Etanol Anidro, impostos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins), imposto estadual (ICMS) e Parcela da Petrobras

Diesel

Assim como acontece com a gasolina, o preço final do diesel, cobrado do consumidor, inclui impostos, margens de distribuidoras e postos de combustíveis e a adição obrigatória de 10% de biodiesel. Esses custos são incorporados ao preço dos combustíveis que vai para as revendedoras, onde o preço final é definido com o custo de manutenção dos postos de gasolina e as margens de lucro das revendedoras.

Com o último reajuste, a parcela da Petrobras no preço cobrado ao consumidor passou para R$ 5,05 a cada litro vendido na bomba. Até então, a partir de dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), coletados 26 estados e no Distrito Federal entre os dias 05/06/2022 e 11/06/2022, a composição estava assim:

A composição do preço do diesel é feita a partir de quatro categorias: Distribuição e Revenda, Biodiesel, Imposto Estadual e Parcela Petrobras

Ao contrário de que acontece com a gasolina, no litro do diesel não há mais impostos federais, conforme determinação da Lei Complementar nº 192/2022, que congelou os tributos federais para o diesel até 31 de dezembro de 2022.

O lucro dos postos

Por fim, tanto as distribuidoras quanto os postos de combustíveis colocam no preço final do consumidor um percentual de lucro. Esse índice é livre e pode ser cobrado como as empresas quiserem - se o lucro for maior, o preço da gasolina também é maior, se for menor, o consumidor paga menos.

Na prática, como os outros valores são praticamente os mesmos para todas as distribuidoras, a diferença observada de um posto de combustível para o outro está, principalmente, no tamanho do lucro que os postos e as respectivas distribuidoras estabelecem para si.

Izabella Souza

Repórter


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