Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo; confira o ranking

Letícia Almeida

Publicado 04/ago3 min de leitura

Resumo

Com Selic elevada a 13,75%, juro do país, descontada a inflação, atingiu 8,52%, mais do que o dobro do segundo colocado na escala mundial, o México

Nessa quarta-feira (3), o Copom anunciou outro aumento da Selic, principal taxa de juro do país. O indicador saltou 0,5 ponto percentual, saindo de 13,25% para 13,75% – o maior valor em sete anos. Com a elevação, o Brasil se consolida como o país com a taxa de juros reais mais alta do mundo, posição que ocupa desde maio, quando a Selic estava em 12,75%.

No ranking dos países com maiores juros reais – valor dos juros descontada a inflação para os próximos 12 meses –, o Brasil lidera com folga: o valor é de 8,52% ao ano, mais do dobro da taxa do México, segundo colocado com 4,20%. A Hungria aparece em terceiro lugar, atingindo 3,50%, como mostra levantamento da gestora Infinity Asset.

Veja os dez maiores:

Ranking dos países com maiores juros reais (Arte: Inset)
Arte: Inset

O professor de Economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Rafael Ribeiro avalia que esse resultado reflete um cenário de instabilidade da economia brasileira. Esse fato, segundo ele, tem relação com a gestão imprevisível da política fiscal do Brasil.

"O lado fiscal está complemente desorganizado, e tudo isso gera muita incerteza sobre a condução a economia do país. Para além disso, tem uma instabilidade política, o que reduz muito o horizonte de previsibilidade da economia, e a segurança pra conduzir os investimentos no país fica menor", analisa.

O docente cita alguns fatos que têm contribuído para esse cenário de inconstâncias, como o "gasto exorbitante feito por emendas parlamentares", a "saída desordenada das regras fiscais" e a política do teto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os combustíveis e para a energia, o que reduz a arrecadação dos estados sem uma outra fonte de renda em contrapartida.

Ribeiro ressalta, ainda, os efeitos diretos dos juros altos para o bolso do consumidor e das empresas. Como a Selic é o medidor que regula todos os demais juros, se ela encarece, as outras taxas também ficam mais altas. Ou seja, tomar dinheiro emprestado fica ainda mais caro, tanto pra pessoas comprarem bens parcelados quanto para as empresas acessarem crédito para investirem em bens.

"Isso faz com que você tenha uma redução do consumo e redução do nível de investimento [por parte das empresas], e a queda dos investimentos gera menor crescimento dos empregos", observa.

Já em relação aos juros nominais – valor absoluto, sem considerar a inflação –, a taxa brasileira ocupa a terceira posição na escala mundial. No entanto, o país fica cada vez mais perto do segundo colocado, a Turquia, que atualmente tem juros de 14%. O primeiro lugar é ocupado pela Argentina, que dispara na frente com um juro nominal de 60%.

Na avaliação do docente da UFMG, mais do que a colocação do Brasil no ranking, o que chama atenção é o país estar com indicadores próximos ao turco. "A Turquia é um país que tem um governo autoritário, tem uma série de conflitos internos e sociais, não tem uma economia que consegue gerar empregos de qualidade, ou seja, não é uma economia funcional. O fato de o Brasil estar próximo de uma economia nesse contexto reflete muito o cenário que a gente vive atualmente", reflete Ribeiro.

Letícia Almeida

Repórter


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