Alimentação é item que mais impacta o orçamento doméstico, aponta pesquisa

Letícia Almeida

Publicado 20/jun3 min de leitura

Resumo

Preço dos combustíveis, serviços de saúde e remédios também têm pesado na conta dos brasileiros

Alimentar-se no Brasil está cada vez mais caro, e as pessoas já vêm sentindo o peso de itens da cesta básica no bolso. A pesquisa Radar Febraban (Federação Brasileira de Bancos) de junho revelou que para 78% das famílias o consumo de alimentos é o que sai mais caro no orçamento. A percepção de que a inflação e o preço dos produtos aumentaram muito do início do ano pra cá também é quase uma unanimidade entre os brasileiros: 93% sentem a diferença.

O número de entrevistados que apontam o encarecimento dos alimentos já é nove vezes maior do que no ano passado. Entre as mulheres, esse percentual chega a 82%. O preço dos combustíveis também tem preocupado os consumidores, apontados por 42% como um dos produtos que mais afeta o bolso. Esse impacto é citado sobretudo pelos homens (45%), quem está na faixa de 25 a 44 anos (46%), tem renda familiar entre dois e cinco salários mínimos (48%) e ensino superior (48%).

Outros itens que encarecem o custo de vida dos brasileiros são os serviços de saúde ou remédios, mencionados por 17% dos entrevistados. O número é relativamente menor do que em dezembro de 2021, quando foi citado por 19%. Segundo a pesquisa, pessoas de 60 anos ou mais são as maiores afetadas (25%).

“A inflação é o inimigo número um do Brasil. É um fenômeno mais sério aqui porque, há nove meses consecutivos, anualizada, vem ultrapassando a faixa dos dois dígitos. Além disso, está bastante disseminada e vem atingindo sobretudo as classes menos favorecidas”, avalia o presidente da Febraban, Isaac Sidney. Considerando o último resultado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em maio, a inflação acumulada de 12 meses é de 11,73% – nono mês consecutivo acima dos 10%.

Esperança comprometida

Com itens do dia a dia pesando tanto, a esperança de que a situação melhore tem ficado cada vez mais distante: 68% das pessoas acreditam que a economia do país só deve se recuperar após 2022. Esse percentual é o mesmo das rodadas de junho e setembro de 2021, quando também se imaginava que a retomada econômica ocorreria somente no ano seguinte. 

Hoje, os mais pessimistas quanto à retomada da economia somam 9% e são principalmente os menos escolarizados (12%) e com menor renda (11%). Ainda, 67% dos brasileiros vislumbram o aumento da taxa de juros este ano.

Em relação às finanças pessoais, a maior parte das pessoas (51%) acredita que a realidade financeira familiar só irá se recuperar depois de 2022 (47%) ou nem irá se recuperar (4%). Já 25% acreditam que deve sentir melhoras no orçamento ainda nos próximos meses.

Uma pequena parcela (8%) afirma ter sentido uma melhora financeira em 2021, completando o total de 33% que já se recuperaram. Há ainda os que dizem não terem sido afetados pelo aumento generalizado dos preços (10%). 

Compra de imóvel é maior objetivo para dinheiro extra

Em um cenário onde sobra algum dinheiro no orçamento familiar, a compra de um imóvel é o principal desejo dos brasileiros (31%), especialmente de quem tem entre 25 e 44 anos (35%). Se somada a intenção de reformar a casa (16%), o destino de recursos à categoria de moradia chega a 47%.

A segunda prioridade para o dinheiro extra é investir, seja na poupança (20%) – citada com mais frequência pelas mulheres, aqueles acima de 60 anos, com ensino médio e que ganham entre dois e cinco salários mínimos, seja em outros tipos de investimentos (18%) – mais apontados nos segmentos de maior escolaridade e renda.

Para quem ainda pensa em investir na poupança, porém, vale o alerta: a caderneta é considerada pelos especialistas como a pior aplicação por conta da baixa rentabilidade em relação aos demais produtos financeiros. Enquanto investimentos de renda fixa, como títulos do Tesouro Direto e CDBs podem trazer retornos maiores que 1% ao mês, a poupança rende cerca de 0,5% mensalmente. Ou seja: considerar outros produtos é um caminho para ter retornos mais significativos, com a mesma segurança e praticidade da caderneta.

Letícia Almeida

Repórter


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