Soft Skills: as habilidades que podem te destacar no mercado de trabalho

Izabella Souza

Publicado 14/out10 min de leitura

Resumo

Especialista ouvida pelo Inset explica quais aptidões o mercado busca atualmente e como desenvolvê-las.

Já ouviu falar de soft skills? Foi-se o tempo em que os profissionais de RH olhavam somente para a formação ou para o nível de conhecimento técnico de um candidato. Hoje em dia, é necessário saber identificar e acompanhar essas habilidades, que são diretamente relacionadas à inteligência emocional das pessoas. 

Para te ajudar a identificar quais são, exatamente, essas aptidões, e a desenvolvê-las, o Inset conversou com a expert em recrutamento Denise Asnis, administradora, professora e especialista em Educação Corporativa condecorada com dois Prêmios Top of Mind RH. Anote as dicas!

Inset: O que são, na prática, essas soft skills?

Denise Asnis: Entendemos como soft skills as habilidades ligadas à forma como fazemos as coisas, como nos relacionamos e como lidamos emocionalmente com as situações vividas. Podem ser aptidões, habilidades ou emocionalidade. Por exemplo, comunicar-se bem, manter o foco em meio à crise, se manter organizado em um ambiente altamente mutável, lidar com opiniões divergentes e exercer papel de influência positiva nas demais pessoas à sua volta.

As soft skills são várias, e algumas vezes, são intimamente interligadas.
As soft skills são várias, e algumas vezes, são intimamente interligadas
  • Comunicação interpessoal: se comunicar de forma clara e estabelecer diálogos de qualidade.
  • Escuta ativa: capacidade de estar presente, aberto e genuinamente interessado nas comunicações dos outros.
  • Persuasão: conseguir comunicar seus pontos de vista e ideias sem impor ou se preocupar com que sua visão seja a certa.
  • Responsabilidade: assumir seu papel e responsabilidade sobre seus atos, sejam eles bons ou nem tanto.
  • Confiança: gerar e transmitir confiança pela qualidade das relações estabelecidas.
  • Resiliência: conseguir atuar em ambientes ambíguos e com mudanças constantes.
  • Colaboração: ter consciência de que, na vida, o importante é ser interdependente, e não “o cara” self-made man.
  • Aprender a aprender: ter a capacidade de se renovar e de estar aberto a aprender coisas todo dia com qualquer pessoa
  • Empatia: perceber o outro e se preocupar em conhecer as perspectivas dele antes de julgar ou tomar decisões.
  • Resolução de conflitos: conseguir se distanciar emocionalmente para ampliar perspectivas
  • Adaptabilidade: estar aberto a viver na inconstância e em ambientes ambíguos.

Inset: Como obter essas habilidades? Qual é o melhor caminho para desenvolvê-las?

Cremos que a atividade mais certeira para se desenvolver essas habilidades sociais começa por um profundo processo de autoconhecimento que, basicamente, pode ser obtido de três formas: 1) Individualmente, com uma boa capacidade de reflexão sobre situações vividas e procurando expandir seu olhar colhendo perspectivas dos outros; 2) Por meio de terapia, processos de coaching ou mentorias; 3) Ou ainda com alguns cursos no mercado que também apoiam estes aprendizados como comunicação, empatia, ou técnicas de colaboração etc.

Para apoiar este processo individual, algumas perguntas despretensiosas podem ajudar bastante, sendo com o objetivo de te provocar a refletir sobre as suas softs skills presentes ou não:

  • Quando foi a última vez que você fez uma coisa pela primeira vez?
  • As pessoas percebem que você vai além do que o seu gestor, clientes ou amigos pedem?
  • Qual foi a última vez que você fez um julgamento errado (de uma situação, pessoa ou trabalho)? Quem percebeu primeiro? E como você comunicou aos demais envolvidos?
  • Como é uma semana típica sua? Há espaço para o silêncio, para mexer o corpo, fazer hobbies, estudar, se relacionar e trabalhar?
  • As pessoas gostam de conversar você? Você é considerado um bom ouvinte pelos amigos? Sente que passa confiança?
  • Tem capacidade de reagir rápido às últimas mudanças impostas a você no trabalho ou na vida pessoal?
  • Qual foi a última vez que você “estourou com alguém”, ou seja, que não conseguiu controlar emoções de raiva, medo, angústia e/ou desamor? Havia uma forma mais adequada de se expressar? Por que você não a usou?
  • Lembre de uma situação em que você foi criativo em uma situação interna ou com cliente.

Mas o objetivo de se fazer essas perguntas não é criar um momento de crítica pela crítica ou exercer juízo de valor, mas sim para se perceber mais profundamente. Ao respondê-las a si mesmo, esteja atento(a) no seu sentir, se elas provocaram sentimentos ruins ou alegres e de satisfação. Depois, experimente perguntar a outras pessoas quais são as percepções delas.

Inset - E do ponto de vista das empresas, qual é a importância de todo esse desenvolvimento?

No passado bem próximo, as empresas pontuavam as vagas disponíveis apenas com uma breve descrição dos cargos. Era comum perceber as soft skills apenas como comunicação ou negociação para áreas específicas, onde estas habilidades eram requeridas pela função técnica.


Citação
Com a mudança de era e a entrada em um mundo mais global, diverso, incerto, complexo e ambíguo, as empresas perceberam que os profissionais que se destacavam eram justamente os que tinham alto grau de resiliência e capacidade de colaborar, de gerir mudanças rapidamente, de tomar decisões rápidas etc. Que as demissões aconteciam não pela falta de conhecimento técnico, e sim pela inabilidade de lidar com uma ou mais soft skills nas relações interpessoais.
Denise Asnis, administradora, professora e especialista em recrutamento e Educação Corporativa

Assim, na atualidade, as empresas necessitam de muito trabalho em equipe, autoliderança e comunicação eficiente e eficaz para atender ao momento de complexidade, ambiguidade, agilidade, volatilidade e incertezas dos ambientes de negócios. Somente equipes com alto grau de autoconhecimento e que estejam o tempo todo com capacidade de aprender e evoluir suas habilidades sociais conseguirão atingir seus resultados.

E como uma empresa é feita de pessoas, quanto mais ela puder selecionar, incentivar o desenvolvimento e valorizar as competências softs skills, juntamente com os conhecimentos e habilidades técnicas, mas vantagem competitiva ela terá.

Denise Asnis (Foto: Taqe/Divulgação)
Denise Asnis (Foto: Taqe/Divulgação)

Izabella Souza

Repórter


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