'Qualidade de executivos atrai investimento'

Estadão Conteúdo

Publicado 01/ago5 min de leitura
No mundo dos investimentos, as empresas são classificadas pela previsibilidade financeira e segurança de retorno, sendo o nível AAA o padrão ouro. Agora esse conceito foi transferido para times executivos pelos consultores e especialistas em alta liderança Caroline Marcon e Paul O'Doherty, que lançaram O Poder dos Times AAA. O livro desvenda as características dos líderes que geram crescimento sustentável de pessoas e de negócios.

Segundo Caroline, os times AAA (ou Triple A) são liderados por pessoas participativas, que prezam pela colaboração, ajudam no desenvolvimento dos demais e sabem se conectar com as pessoas, prezando sempre pelo trabalho de excelência. "Traduzimos esses A's da seguinte forma: autênticos, que se sentem confortáveis em mostrar as vulnerabilidade; ágeis, que tomam decisões sem demora e se adaptam às mudanças; e apaixonados, que abraçam o propósito da empresa de maneira genuína."

Ao conversar com investidores, os autores notaram que, além do potencial do negócio e da resiliência da empresa, a qualidade do time executivo é fator decisório para escolher onde aportar o dinheiro.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

O que seria um time executivo de alta performance?

Caroline: Times executivos de alta performance conseguem dirigir uma organização por meio de princípios, ou seja, eles têm uma maneira clara de agir e tem tanta integridade e clareza na gestão que não precisam estar presentes para que as coisas aconteçam. O impacto vai muito além da presença e perpassa a cultura da organização, de forma que as pessoas em diversos níveis e geografias conseguem sentir a cultura, o jeito de fazer e o propósito. É o contrário da microgestão, em que, se eu não controlo, as coisas não saem.

Como tem sido desempenhado o papel dos times executivos e quais paradigmas a serem rompidos?

O'Doherty: Comecei a trabalhar com times executivos na Europa, e o que acontecia no time era um segredo, parecia uma caixa-preta dentro da empresa. Então, um paradigma é como quebrar esse sigilo ao redor do que os executivos fazem quando a porta está fechada. As pessoas têm uma visão do grupo de executivos tomando decisões arrojadas para o futuro da empresa, mas, geralmente, não é nada disso. A maioria dos times executivos está focada absurdamente no curto prazo, ou seja, está fazendo um trabalho que qualquer um poderia fazer. O papel dos times executivos é olhar para o futuro, pois são os únicos que conseguem desbravar uma estratégia que vai levar a empresa ao sucesso.

Qual o impacto dessas lideranças para além dos muros da empresa?

Caroline: Uma das coisas que fizeram a gente querer investir no livro é perceber o quanto a qualidade do time executivo é fator de atração de investimento, principalmente para empresas que desejam escalar seus negócios. Os investidores dedicam muito cuidado a entender quem são as pessoas que compõem o time executivo, que lideram o negócio, porque às vezes você compra um ativo valioso, mas se não traz as cabeças pensantes, a cultura, ele não se sustenta. A qualidade do time é fator de desempate de muitos negócios que são igualmente de alto potencial.

O'Doherty: Outro fator importante é atrair talentos das novas gerações. Uma das empresas mais bem-sucedidas em atrair talentos é a Unilever, porque tem propósito claro de mudar a sociedade. Lembro do Fábio Barbosa, o presidente na época do então Banco Real, falando: "Pessoas melhores, para um Brasil melhor, para um mundo melhor". Não eram só palavras, você sentia uma vibração dentro da empresa no Brasil que não existia em outras partes do mundo.

Quais os desafios para desenvolver lideranças?

Caroline: O grande desafio é realmente as pessoas acreditarem que, depois de certa idade, de alcançar sucesso profissional, elas ainda precisam fazer uma transformação profunda. Muitos não acreditam que isso é possível. É a história de que "nasci assim, vou ser sempre assim". Depois, é a questão de não terem energia. Há uma resistência que a gente chama de mentalidade fixa, no sentido de achar que as coisas precisam continuar como sempre foram e há pouca abertura para fazer uma transformação real, porque dá trabalho. Mas, quando a gente encontra times executivos que acolhem essa mudança, que têm a disposição necessária para pagar o preço, a coisa se transforma.

Quais são os comportamentos de um líder executivo com todas as mudanças que a pandemia trouxe?

Caroline: No livro, a gente fala dos blends de liderança mais efetivos, líderes Triple A. O principal é ter influência e impacto positivo no grupo, são pessoas que lideram tendo em vista o que é melhor para o todo. Investem tempo no desenvolvimento da equipe, são líderes coaches, que é a principal demanda das empresas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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