Desenvolvimento estagnado: o impacto da Covid-19 na vida profissional dos brasileiros

Izabella Souza

Publicado 23/dez2 min de leitura

Resumo

Pesquisa mostra como a crise sanitária afetou as jornadas profissionais dos brasileiros; mulheres e pessoas negras são (mais uma vez) as mais prejudicadas

Desde o seu surgimento, a pandemia de covid-19 afetou a vida de todos nós de várias e diferentes maneiras. E para 44% dos brasileiros, a crise sanitária impactou, inclusive, as suas trajetórias profissionais.

É o que mostra uma pesquisa produzida pela empresa de gestão e recursos humanos Mindsight, que revelou que 44% das pessoas avaliam que tiveram suas carreiras estagnadas por causa do surto da doença. Para 73% dos brasileiros, a covid-19 atrapalhou os planos de desenvolvimento profissional.

Quase 44% dos entrevistados declararam ter sido demitidos, enquanto que 51,2% estão desempregados e buscando uma reinserção no mercado. Já 65,9% mudaram o plano de carreira por conta da crise.

Para 45,8% a busca por emprego e a conciliação da vida pessoal com a profissional estão mais difíceis devido à covid-19, e 55,5% disseram que a pandemia tem afetado a autoestima no âmbito profissional.

É o caso de Milene Souza Santos, que trabalha como assistente financeira em uma empresa de grande porte. Ela conta que, antes da pandemia, estava com os dias preenchidos com o trabalho, a faculdade e o curso de inglês. "Eu estava totalmente focada em crescer na carreira e me sacrificar mesmo para me especializar cada vez mais. Mas aí veio a pandemia e interrompeu tudo, de um jeito muito agressivo".

Em home office desde março de 2020, Milene continua trabalhando em casa e sente que isso também a prejudica: "O pessoal optou por voltar ao escritório só em 2022 e, com tudo o que aconteceu, estou mentalmente exausta e sem um pingo de motivação para continuar no gás que eu estava antes. Não sinto mais vontade de me sacrificar tanto pra crescer na empresa e não estou feliz com isso, mas é como estou no momento, infelizmente", desabafou a jovem de 26 anos.

Uma velha, conhecida e cansativa realidade

O levantamento traz também um recorte de gênero e aponta que os impactos da pandemia afetaram mais mulheres do que homens. Das mulheres entrevistadas, 58% estão desempregadas, frente a 44% de homens.

Sobre a percepção do mercado de trabalho, 61% das mulheres afirmaram não sentir o mercado de trabalho aquecido e que não há vagas disponíveis. Entre os homens, 52% têm essa impressão.

E em uma perspectiva racial, negros e pardos também foram mais afetados do que brancos. De acordo com a pesquisa, 49% das pessoas pretas e pardas foram demitidas durante a pandemia, enquanto que, entre os brancos, o número fica em 40%.


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